




PLANO
DE VÔO
A rotina da LSG
Sky Chefs, empresa especializada em catering, resume bem a complexidade no
preparo dos alimentos servidos a bordo. Com cinco unidades no Brasil (São
Paulo, Guarulhos, Rio de Janeiro, Salvador e Recife), a companhia atualmente
atende 25 clientes, entre eles Air France, TAM, Varig, United Airlines, Britsh
Airways, Lufthansa, TAP, KLM, American Airlines, JAL e Air China, e servindo
em média 30 mil refeições em 350 vôos diários. Os pratos vão desde sanduíches
até o menu específico para a primeira classe, em um processo que envolve o
recebimento dos ingredientes; o pré-preparo de frutas, verduras e legumes;
o serviço de açougue, padaria e cozinha quente; a montagem e o embarque das
comidas e bebidas, e os utensílios utilizados a bordo. Andrea Arakaki, vice-presidente
do Programa de Gerenciamento da América Latina, explica que a seleção das
refeições é feita pela própria companhia aérea, dentro de suas especificações
e aprovação do chef responsável. “Cada cardápio tem, na primeira classe, quatro
ou cinco opções, e, nas econômicas, pelo menos duas, com ciclos cuidadosamente
elaborados para que o passageiro que voa hoje não encontre a mesma opção daqui
a um mês”. Fato curioso é o de que no avião a diferença de horário entre o
preparo e o serviço de bordo pode ser de até 20 horas. Nesse caso, para que
a integridade dos alimentos seja mantida é feito um resfriamento rápido, num
equipamento chamado blast chiller, que impede o desenvolvimento de bactérias.
Além disso, nenhum alimento é embarcado quente. Verduras cruas entram no avião
já higienizadas, secas e embaladas para que não murchem durante o trajeto.
Menus muitos elaborados também exigem limite. O carpaccio, por exemplo, pode
ser servido, desde que a carne vermelha ou de peixe seja defumada. E para
os passageiros com necessidades específicas também são desenvolvidas as dietas
especiais, como a de baixas calorias, com pouco sal, vegetariana, cozinha
kosher, hindu ou específicas para bebês ou crianças. Basta que, durante a
reserva de vôo, o cliente faça a solicitação para a companhia aérea.
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Nº
280
Janeiro 2007 |
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| Tour de France | |||
| Matéria de Capa | |||
| Gastronomia | |||
| Cultura | |||
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COMIDA DE AVIÃO |
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| Editorial | |||
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Notas |
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| Câmara Destaque | |||
| Perspectivas |
GASTRONOMIA NAS ALTURAS
Se você tem calafrios só de pensar nas refeições servidas
nos vôos de longa duração, saiba que algumas companhias aéreas vêm investindo
em cardápios sofisticados, assinados por chefs de renome internacional
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| Ações do Bem |
Atire a primeira pedra quem nunca reclamou das refeições servidas nos aviões durante os longos vôos internacionais. Peixes com sabor de frango, sobremesas com ingredientes não identificados, massas com consistência de gelatina – tudo acomodado em pequenos pratos de plástico (na classe econômica, é claro). Apesar da resistência das pessoas aos cardápios oferecidos pelas empresas, a maioria acaba não tendo outra opção para espantar a fome e o tédio nas viagens com mais de cinco horas de duração. Para ganhar a preferência dos clientes e modificar a imagem de que “comida de avião é tudo igual”, muitas companhias aéreas vêm investindo na elaboração de menus especiais, criados por chefs de renome internacional. A Air France, por exemplo, tem o cardápio da primeira classe assinado por Guy Martin, chef francês que por 15 anos atuou no restaurante parisiense Grand Véfour – três-estrelas no Guia Michelin. Durante o vôo, os passageiros podem degustar salada de lagosta em suco de coentro, filé com molho de cheiro-verde, batata-doce e foie gras. Para acompanhar a refeição, um vinho francês de excelente qualidade, produzido na região de Bordeaux e selecionado por Olivier Poussier, eleito o melhor sommelier do mundo em 2000. A não ser pelo detalhe de estar-se a muitos mil metros de altitude, o ambiente sofisticado, com toalhas de linho e talheres Chistofle, pode ser comparado ao dos melhores restaurantes do mundo. No Brasil, as companhias aéreas também têm a preocupação de inovar e surpreender os clientes com refeições especiais, a exemplo do que ocorre na TAM, que, desde fevereiro de 2006, vem trabalhando na produção de seu cardápio para este ano. Segundo Andréa Rocha Lima Oliveira, supervisora de serviço de bordo da empresa, as tendências gastronômicas mundiais são o ponto de partida para a seleção dos pratos que serão servidos aos passageiros. “Para 2007, nos inspiramos na culinária regional. A partir desse conceito, cada chef local cria suas receitas, que são avaliadas pelo francês Jean-Paul Bondoux, nosso atual consultor”, explica. As viagens internacionais são as que recebem mais investimentos da TAM. Em 2006, na rota São Paulo–Nova York, era possível provar medalhões de lagosta marinados, sorbet de tangerina com gengibre ou robalo realçado com azeite de oliva. Tudo acompanhado por vinhos de pequenos produtores da França e taças com champanhe Drappier La Grande Sendrée, selecionados por Arthur Azevedo, da Associação Brasileira de Sommeliers. Em meio a tanta sofisticação, fica difícil imaginar que um dos principais desafios do serviço de bordo é o do aquecimento adequado dos alimentos. “É preciso atenção para que o prato chegue ao passageiro do modo que ele escolheu. As massas, por exemplo, exigem cuidados, para que fiquem no ponto certo, sem ressecar”, explica Andréa, da TAM. Por esse motivo, o francês Emmanuel Bassoleil, dono do restaurante Skye, em São Paulo, sempre aconselha durante os vôos longos optar pelos pratos feitos com frango ou peixe. A opinião de Bassoleil não se baseia somente na sua experiência como chef – em 1998 ele atuou como consultor gastronômico da Varig. “Em geral, as pessoas põem um rótulo, como se comida de avião fosse sempre ruim, mas a qualidade melhorou muito”, afirma. De acordo com ele, o grande problema desse serviço continua sendo oferecer uma refeição que foi preparada na parte da manhã, embarcada no avião à tarde e servida no fim da noite. “Se um mesmo forno aquece uma massa, um frango, uma carne vermelha e um peixe, alguma coisa vai sair do ponto”, considera. Azeitona sem caroço – Programar o horário do serviço de bordo pode ser uma boa alternativa para lidar com os contratempos no aquecimento dos alimentos. A Lufthansa, que também opera vôos Brasil–Europa, tem investido no conceito Serviços Premium, permitindo, assim, que o passageiro escolha em qual horário deseja alimentar-se na viagem. Além da refeição principal, o cliente tem a possibilidade de consumir durante o vôo lanches e bebidas. Até 30 minutos antes da aterrissagem (ou até 45 minutos, na classe executiva) também é servido o last minute breakfast. Com cardápios desenvolvidos pela LSG Sky Chefs, empresa especializada em catering, pertencente ao grupo Lufthansa (ver boxe pág. 56), a companhia aérea define as criações de acordo com o tipo de alimento disponível nos países em que atua. Tudo sob a supervisão do chef Ernst Derenthal. De acordo com Bernd Hoffmann, diretor de comunicação corporativa da Lufthansa para a América Latina, “os cardápios devem ser criativos, apresentar o sabor dos ingredientes usados e, é claro, agradar aos passageiros”. Ele também relaciona alguns alimentos que devem ser evitados na elaboração dos pratos, como os crus de origem animal, por serem mais suscetíveis ao desenvolvimento de bactérias quando preparados com muita antecedência; os amendoins e seus derivados, em decorrência dos componentes que podem provocar alergia, e, por questões de segurança, azeitona com caroço. Mesmo com tanto investimento e dedicação por parte das empresas, existem aqueles passageiros que continuam torcendo o nariz quando o assunto é comida de avião. Em seu contraponto, há um grupo de pessoas que se diz apaixonado pelos pratos servidos durante as longas viagens a ponto de criar um site exclusivo (www.airlinemeals.net), com detalhamento das refeições das principais companhias aéreas do mundo. Luis Fernando Verissimo, escritor que já dedicou dezenas de crônicas ao tema, encerra a discussão: “O importante não é a comida; é estar comendo a caminho de algum lugar”. |
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Governança Corporativa |
Rose
Campos
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