Apaixonados por cavalos e equitação que estiverem nos
arredores de Paris encontrarão duas alternativas de espetáculos eqüestres de encher os olhos. Um deles é apresentado pelo Musée Vivant du Cheval
(www.musee-vivant-du-cheval), nas Grandes Ecuries de Chantilly, onde somente esta imponente construção do século XVIII já vale a visita. As Grandes Ecuries foram construídas a pedido do príncipe Louis-Henri de Bourbon pelo arquiteto francês Jean Aubert, o mesmo que projetou o Hôtel Biron, atual Museu Rodin, em Paris. Segundo a lenda, o príncipe acreditava que reencarnaria na forma de um cavalo e, por isso, ordenou a construção dessa luxuosa estrebaria, digna de seu status. Naquela época, as Grandes Ecuries abrigavam cerca de 240 cavalos e 500 cães de caça, atividade típica da região. Atualmente, a família Bienaimé é a responsavel pela manutenção do museu e pela organização dos espetáculos. A cada ano, aproximadamente 170 mil pessoas visitam o local, interessadas em conhecer as 31 salas de exposição e participar das apresentações pedagógicas e dos espetáculos, como o Pólo
HISTÓRIA, EQUITAÇÃO E ARTE
Tango; Especial de Natal; Cavalo; Sonho e Poesia ou Na Rota da Seda. A Academia do Espetáculo Eqüestre de Versailles também propõe dois programas voltados para os amantes da equitação. Idealizada por Bartabas, fundador do Teatro Eqüestre Zingaro, a academia abriu suas portas em fevereiro de 2003 nas Grandes Ecuries do Château de Versailles, construídas durante o século XVII para abrigar a cavalaria real. Turistas vindos do mundo todo chegam ao lugar atraídos por uma formação que conjuga o conhecimento eqüestre e outras disciplinas, como esgrima, artes plásticas, canto, dança e o Kyudo, uma modalidade japonesa de arco e flecha que tem origem nas técnicas de guerra dos samurais. Todos os espetáculos são seguidos de uma visita pelas Grandes Ecuries de Versailles, que abrigam atualmente cerca de 30 cavalos.
NA TRILHA CERTA
Em um cavalo, é possível explorar as mais diversificadas paisagens naturais da França. Para definir qual a região e o tipo de viagem que se pretende fazer, uma boa dica é buscar informações nos principais sites relacionados com o assunto.

Comitê Nacional de Turismo Eqüestre - http://www.ffe.com

Mapas e endereços úteis - http://www.tourisme-equestre.fr

Parque Regional Livradois–Forez - http://www.parc-livradois-forez.org

Parque Regional Vulcões da Auvergne - http://www.parc-volcans-auvergne.com

Musée Vivant du Cheval - www.museevivantducheval.fr

Académie du Spectacle Equestre de Versailles - http://www.acadequestre.fr

Haras Nacionais - http://www.haras-nationaux.fr

Equbreizh, itinerários da Bretanha - http://www.equibreizh.com

    
    

TOUR DE FRANCE
TURISMO EQÜESTRE

DE CAVALO PELA FRANÇA

Com cerca de 27 mil quilômetros de trilhas sinalizadas, o país se consolida como um importante destino mundial de turismo eqüestre, atraindo cada vez mais interessados em conhecer de uma maneira diferente as mais belas paisagens francesas

 

Camila Teixeira, especial da França




   
   
     
     
          
 Nº 280
Janeiro 2007
 
 
  Tour de France

Esqueça o avião, o trem, a pressa. Chega de lamentar-se sobre como seria ótimo um passeio por aquela montanha do outro lado da janela do ônibus de excursão. Dê um basta às fotos fora de foco, borradas, tiradas do interior do carro. Certamente existem maneiras muito mais interessantes de descobrir as riquezas turísticas da França com proximidade, ao contrário das solitárias contemplações a distância. Se você, leitor, aceita um conselho, pense em que um verdadeiro passeio pelos melhores cartões-postais do país é, antes de tudo, um exercício de liberdade. Agora, imagine o contato com a natureza, o canto dos pássaros, a brisa no rosto e inclua a esses elementos trilhas bem sinalizadas, que atravessam o Hexágono de norte a sul e de leste a oeste.

Vá mais longe e vizualize a imagem de uma cavalgada ao entardecer em um cenário grandioso. Imaginou? Essa é uma cena típica do turismo eqüestre na França. Uma maneira diferente e personalizada de desbravar as mais belas paisagens do país. Atualmente, é possível conhecer todas as regiões francesas a cavalo. Infra-estrutura adaptada e centenas de itinerários estão espalhados por todo o território à disposição daqueles que buscam uma atividade ao ar livre. A escolha do destino dependerá somente do tipo de paisagem que o visitante deseja percorrer.

Passeios de uma jornada, um fim de semana ou vários dias, as opções são inúmeras. Acompanhado de um guia ou individualmente, o cavaleiro e a amazona podem visitar parques regionais, vinhedos, vulcões, praias, lagos, sítios arqueológicos, pantanais ou atravessar os Alpes. O grau de dificuldade da cavalgada varia de uma trilha para outra, mas tanto os iniciantes quanto os mais experientes encontram percursos apropriados ao seu nível de condicionamento físico.

Na Aquitânia, duas opções de cavalgada são especialmente interessantes. A primeira é a descoberta dos tesouros arqueológicos do departamento do Dordogne, por meio de 900 quilômetros de itinerários balizados. Num passeio de quatro dias, é possível desbravar o Périgord Noir, partindo do vilarejo medieval de Sarlat até chegar a Montignac, onde está localizada a gruta de Lascaux II, famosa pela reprodução de pinturas rupestres de 17 mil anos atrás. Para completar, diversos hotéis Relais d’Etape estão à disposição do viajante e sua montaria.

Outra opção é aproveitar para galopar entre as praias e dunas da Côte d’Argent, a extensa faixa litorânea que banha a Aquitânia, desde o estuário da Gironde, no Médoc, até o País Basco. Nos arredores desse trajeto, o turista tem a oportunidade de fazer uma pausa para conhecer a Duna de Pyla, a mais alta da Europa, com 104 metros de altura. Para realizar esse passeio nos Landes, o cavaleiro deve ter um bom condicionamento físico, além de um nível de galope avançado.

Ao norte, na Região da Normandia, famosa por sua cultura eqüestre, os visitantes podem se aventurar por trilhas verdejantes e à beira-mar. Na Manche, o itinerário principal Val de Saire–Mont St Michel corta o departamento de norte a sul, no qual o cavaleiro atingirá o ápice de sua viagem na mítica Baía do Monte São Michel. Já na Bretanha, os típicos faróis locais guiam os turistas por falésias e grandes extensões de praia, em rotas litorâneas, principalmente na Côte d’Armor.

No centro do território francês, os cavaleiros encontram opções igualmente pitorescas. Em Auvergne, terra dos vulcões, nos arredores de Clermont–Ferrand, cada um de seus quatro departamentos tem trilhas para cavalgadas. Algumas delas integram dois importantes parques regionais, o Livradois–Forez e o Vulcões da Auvergne. Este último é classificado como o maior parque regional da França, entre os departamentos do Cantal e do Puy de Dôme, e abriga quatro cadeias de vulcões extintos.

Entre elas está a Cadeia dos Puys, uma das mais famosas da França, com uma seqüência de mais de 80 vulcões alinhados por aproximadamente 40 quilômetros. No interior do parque, diversas rotas dão acesso a esses gigantes, como o circuito Tour du Volcan, no Cantal, que pode ser percorrido em três a oito dias, ou a trilha Dômes–Sancy, com seus 183 quilômetros que atravessam a cadeia dos Puys, o maciço de Sancy e o Cézallier.

Rota do vinho – Ainda na região central da França, cerca de dez mil quilômetros de percursos eqüestres espalham-se pelos quatro departamentos administrativos da Borgonha – Côte d’Or, Nièvre, Yonne e Saône-et-Loire. Com cerca de 100 quilômetros de extensão, a rota da vinha e do vinho, que corta o Saône-et-Loire de norte a sul, de Santenay até Cluny, é uma das mais procuradas pelos turistas. Em Cluny, ponto alto do Cristianismo europeu da Idade Média, os turistas têm a oportunidade de conhecer a abadia de mesmo nome, fundada em 910, e sede de mais de mil monastérios afiliados na época medieval. Já no Côte d’Or, diversas trilhas eqüestres contornam Dijon, capital da região. Uma escapada até Beaune para visitar o Hôtel de Dieu, uma jóia arquitetônica fundada em 1443 com seu teto em mosaicos, é obrigatória.

Graças à diversidade de paisagens, entre montanhas e planícies, a Região de Rhône–Alpes é o lugar onde se iniciou a profissionalização do turismo eqüestre na França. Berço da gastronomia, como confirmam as especialidades locais – o molho de Nantua, a fondue savoyarde, o vinho Beaujolais, o mel e as amêndoas do nougat de Montélimar –, é o destino ideal para aqueles que buscam conciliar equitação, culinária de qualidade e contato com a natureza. Um dos itinerário mais interessantes é o que atravessa a divisa entre o Isère e o Drôme.

Cézanne e Van Gogh – No vilarejo de Hauterives, ao sul da província galo-romana de Vienne, está localizado o Palais Idéal du Facteur Cheval, uma obra surrealista, construída entre 1879 e 1912 por um único homem, Ferdinand Cheval. Segundo sua própria definição, é a construção “na qual todos os estilos de todos os países e de todas as épocas estão misturados”. Na Drôme Provençal, o lilás fará parte da paisagem dos que desejarem atravessar os campos de lavanda, magníficos pinheirais se abrirão aos que se aventurarem pelos montes Vercors e Chartreuse e o contorno dos lagos Roseland, Annecy e Léman, na Savoie e Haute Savoie, ficará marcado na memória dos que ousarem ir mais longe.

Estação balneária das mais atraentes e freqüentadas do verão francês, a Provença é a terra na qual cores abundantes e uma luminosidade especial inspirararam artistas como Cézanne e Van Gogh. Formada por planícies e canyons, a região tem ainda um rico patrimônio histórico representado por arenas, castelos e vilarejos. As touradas e o artesanato, atividades tipicamente provençais, também merecem a atenção do turista. Um passeio tradicional e obrigatório é o da descoberta a cavalo da Camargue, um dos espaços mais selvagens da França. Percorrer o itinerário entre Arles e Saintes-Maries-de-la-Mer revelará ao turista uma paisagem única, formada por pântanos e planícies, touros, cavalos brancos e flamingos cor-de-rosa.

Outra rota de tirar o fôlego é a que corta o sul dos Alpes de Haute Provence. Entre Castellanne e a bela Moustiers Sainte Marie, com sua escadaria de pedras cravada numa montanha, este itinerário beira as Gorges do Verdon, um dos canyons mais incríveis do país. Terminado esse passeio, o ideal é estender a cavalgada até a charmosa Dignes-les-Bains. Nesta última parada, o cavaleiro e a amazona encontrarão o descanso merecido numa aconchegante estação termal francesa.

De acordo com o Comitê Nacional do Turismo Eqüestre francês (CNTE), integrante da Federação Francesa de Equitação, existem aproximadamente 27 mil quilômetros balizados para a prática da equitação ao ar livre. Em termos comparativos, seria o equivalente a seis vezes a extensão do sentido Norte–Sul do Brasil. Em 2004, o turismo eqüestre francês completou 40 anos. De acordo com Fréderic Bouix, diretor do CNTE, a equitação ligada ao passeio e ao lazer profissionalizou-se nos últimos anos. “Passou de uma prática individual para uma atividade bem-estruturada e, atualmente, acessível a todos”, explica.

 
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