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Nº
282
Maio/Junho 2007 |
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| Tour de France |
Sotaque
francês toma conta dos Jogos Pan-americanos com a presença de empresas
de diferentes setores, que trazem ao Brasil expertise em grandes eventos
esportivos realizados pelo mundo afora
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| Matéria de Capa |
De 13 a 29 de julho, a cidade do Rio de Janeiro sediará um dos mais importantes eventos esportivos das Américas, os Jogos Pan-americanos – realizados de quatro em quatro anos desde 1951. O que muita gente não sabe é que o sotaque francês vem tomando conta do Pan e isso nada tem a ver com a presença de turistas estrangeiros ao certame. Órgãos oficiais e companhias desse país com expertise em diferentes setores têm atuado de forma intensa nos bastidores da competição. Chantal Garnier, conselheira econômica e comercial da Embaixada francesa no Brasil, foi uma das figuras centrais na aproximação entre grupos privados e a organização dos Jogos. A inspiração para essa tarefa veio, inclusive, de seu passado como esportista. Além disso, ela nasceu em Grenoble, cidade que também passou por profundas transformações em decorrência de um evento esportivo internacional. “Minha cidade não seria o que é hoje se não fossem os Jogos de Inverno de 1968”, comenta. Como exemplo da mudança ocorrida na pequena localidade francesa, Chantal cita que a vila olímpica foi convertida em universidade. A expectativa dela é a de que o Rio de Janeiro também seja afetado pela competição de maneira positiva e permanente. Há críticas e questionamentos em relação ao legado que os Jogos deixarão. Esse aspecto é cada vez mais discutido no contexto de grandes campeonatos, não só no Brasil, mas no mundo todo. Por aqui, um agravante dessa polêmica é a escassez de verbas até em áreas estratégicas do país. E a estimativa de gasto público com o Pan-americano Rio 2007 é da ordem de R$ 3,5 bilhões. Só para efeito comparativo, isso representa quase 40% do investimento brasileiro em educação no ano passado. Entretanto, por parte das instâncias envolvidas, predomina o otimismo em relação aos reflexos diretos e indiretos da competição. Desde 2005, com a Panam Expo, feira oficial da programação que antecedeu os Jogos Pan-americanos, Chantal trabalha para auxiliar os franceses a mostrarem seu savoir-faire em eventos esportivos desse porte. A Missão Econômica do Rio, órgão da Embaixada francesa do qual ela faz parte, colaborou na organização da Panam Expo 2005 exatamente com esse intuito. Um trabalho efetivo na mídia e na Câmara de Comércio França–Brasil foi fundamental, a julgar pela participação de fato concretizada por empresas francesas nos bastidores da competição. O incentivo para mostrar às companhias que elas poderiam, sim, fazer parte do evento brasileiro também fez a diferença. Chantal explica que grande parte dessas empresas atua em segmentos de mercado ainda inexplorados no país, e que de agora em diante tendem a ser desenvolvidos mais intensamente. Arthur Repsold, presidente da subsidiária brasileira da francesa GL events e atual presidente do Riocentro, ilustra a situação: “O complexo, que vai sediar 12 competições esportivas e os centros internacionais de transmissão e Imprensa dos Jogos Pan-Americanos, é nossa primeira operação nas Américas”. Além de reformar e fazer adaptações necessárias para a realização das atividades do Pan, a GL também é responsável pelas obras de infra-estrutura e modernização. “Elas farão do Riocentro um local de exposições e convenções ainda mais competitivo no mercado internacional”, explica. Com sede na França, a GL events é conhecida como uma empresa de prestação de serviços para eventos – tem no currículo a atuação em competições importantes como a Olimpíada de Sydney, na Austrália, e a Copa do Mundo de 1998, realizada na França. O grupo será responsável, por exemplo, pelas instalações temporárias das competições eqüestres nas Olimpíadas de Pequim. Em 1998, a empresa abriu seu capital e passou a ter ações listadas na Bolsa de Valores de Paris. Em 2005, ela cresceu 22% e movimentou 434 milhões de euros. Potencial de mudança – Os Jogos também são uma porta de entrada para negócios ainda maiores. Algumas concessões obtidas em decorrência do Pan chegam a ter duração prevista de até 50 anos. Tudo firmado por meio de licitações públicas. Chantal arrisca dizer que sem o Pan-americano Rio 2007 talvez jamais se viabilizassem tais parcerias. A conselheira francesa compara o potencial de mudança do Rio de Janeiro com o que ocorreu em Sidney ou Barcelona, que também foram cidades olímpicas. Ela utiliza a situação do Riocentro para exemplificar. De acordo com ela, prefeitura e empresas têm todo o interesse em manter, a partir de agora, um calendário permanente de competições internacionais. Diante de tantas possibilidades, é difícil medir com precisão as extensões dos negócios gerados pelo Pan: “Provavelmente muitas outras companhias francesas e brasileiras beneficiaram-se dos Jogos”, afirma Chantal. Entre os destaques estão os dos setores imobiliário e de construção civil. Quem fornece esses dados é Carlos Roberto Osório, secretário-geral do Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 (CO-RIO): “Prova disso é a construção da Vila Pan-americana pela Agenco”. Nesse local, os atletas e demais integrantes das delegações de diferentes países ficarão hospedados durante a competição. Depois, os imóveis serão entregues aos novos proprietários. “Em pouco tempo, as vendas dessas unidades atingiram índices recordes”, informa Osório. A rede hoteleira da capital carioca também planeja seu crescimento em função das oportunidades criadas com o evento. Lars Grael, superintendente de públicos da Light, concessionária de energia com participação da francesa EDF, partilha a crença nos reflexos que os Jogos trarão para a boa imagem e o turismo brasileiro, inclusive com impacto social: “O Rio de Janeiro terá uma estrutura esportiva muito superior, a melhor do Brasil. Isso vai permitir a organização de outros eventos nessa área”. Grael afirma que as intervenções urbanas, adaptações e as novas construções deixarão benefícios para a cidade, em especial nos bairros da zona oeste, como Jacarepaguá, Recreio, Barra da Tijuca, Méier e Engenho de Dentro. Responsável pela geração e distribuição de energia durante o Pan, a Light se prepara para atender à demanda da competição. Cerca de R$ 5,37 milhões foram investidos nas obras que resultaram em 16 quilômetros de rede elétrica construídos, em 90 postes de iluminação instalados e na ampliação de duas subestações de energia. Isso tudo para que nada dê errado durante o evento. Outra companhia que traduz a importância da presença francesa nos Jogos é a Atos Origin. Consultoria mundial em TI, ela entregou nada menos do que o Centro de Operações Tecnológicas (COT) do Pan-Americano Rio 2007. Chamado pela própria empresa de “coração de toda a operação de tecnologia do evento esportivo” e por vezes citado pela mídia como “cérebro”, o COT é parte vital da competição. Montserrat Guardia, COO da Atos Origin Brasil, expressa a relevância dos Jogos para a empresa: “O projeto é muito importante para a Atos em todo o mundo e, principalmente, para a subsidiária brasileira, que será a gestora desse centro”. A equipe de profissionais no país é responsável por fornecer tecnologia para as mais diferentes áreas, desde o credenciamento de voluntários até a divulgação dos resultados das provas. “Será uma excelente oportunidade para mostrarmos toda a experiência que temos em competições esportivas”, afirma Montserrat. A executiva afirma que eventos esportivos desta magnitude não representam o melhor momento para fazer experimentações. “Toda a tecnologia disponibilizada pela Atos Origin já foi testada e possui eficácia comprovada em jogos anteriores”. Aliás, trata-se de um padrão que pode ser observado de maneira geral entre os serviços oferecidos pelas empresas selecionadas como fornecedoras do Pan 2007. Esse cuidado se justifica além das preocupações imediatas. Há expectativas de que o Brasil possa receber as Olimpíadas futuramente. Chantal, da Embaixada francesa, acredita no potencial do Rio de Janeiro para sediar um evento como esse. E demonstra confiança de que os Jogos poderão ser uma grande vitrine, capaz de levar ao mundo uma imagem positiva da cidade e do Brasil, até mesmo na área de segurança. |
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