UM CENÁRIO EM TRANSFORMAÇÃO

    
    
  




   
   
     
     
      

EDITORIAL


JOSÉ LUIZ ALQUÉRES,
é presidente da Light e da CCFB–RJ

   
 Nº 283
Julho/Agosto 2007
 
 
  Tour de France

Na medida em que o desenvolvimento tecnológico favorece uma sucessão contínua de quebras de paradigmas, verifica-se neste século 21 que o conceito de inovação, restrito no passado às mudanças nas técnicas, nos materiais e nos equipamentos, passa a envolver outras dimensões. É importante reforçar que inovar não é apenas idealizar, formular – exige a implementação de uma idéia, a alteração adequada de sistemas e processos, capazes de criar conceitos diferenciados, cada vez mais efêmeros nos dias de hoje.

A criação de novas tecnologias que influenciam as formas de relacionamento entre pessoas e instituições não tem acompanhado mudanças nesse nível. As formas mais tradicionais de associação entre os indivíduos, que envolviam contato direto, freqüentemente condicionado por deslocamento físico, deram lugar a uma comunicação em tempo real, sem limitação geográfica e capaz de reunir no mesmo instante um grupo de pessoas.

A interatividade das comunicações tornou os ciclos decisórios mais curtos. Dentro desse cenário, inovar não se restringe somente à maneira pela qual se produz, mas também à organização, à formação de comunidades de interesse econômico ou cultural ligadas em rede e à forma pela qual elas estão presentes no dia-a-dia das pessoas.

Não podemos nos esquecer da necessidade de inovação na administração da Justiça, da mudança – talvez eliminação – da democracia representativa, dando lugar a uma consulta permanente ao universo dos cidadãos e em muitos outros campos. Manter a inovação permanente e voltada para a melhoria do bem-estar geral, sem quebrar a lealdade ao sistema global humano-político-social, só é possível se a sociedade reforçar seu compromisso com as bases éticas.

Assim, o desafio da inovação é cada vez mais dependente da Ética – com letra maiúscula –, sem a qual o resultado da evolução será a degradação, pois a sucessão de pequenas e perversas inovações pode contaminar a saúde de um sistema global e ir minando a sua capacidade de sobrevivência, como já se viu em tantas sociedades e civilizações. Portanto, o desafio da inovação no século 21 é, antes de qualquer coisa, ético. Para isso, existe apenas um remédio, o humanismo, o respeito ao próximo: “Não submeta o próximo a algo a que você não queira se submeter”.

 
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