ELEIÇÕES
FRANCESAS:
UMA REAL MUDANÇA
|
|
|
|
|||
|
|
|||
|
|
|||
|
|
|||
|
|
|||
|
ARTIGO |
|||
|
Nº
283
Julho/Agosto 2007 |
|
||
| Tour de France |
ara a França e os franceses, a primavera de 2007 foi um momento intensamente político. A República elegeu seu presidente e os representantes para a Câmara dos Deputados. Um depois do outro foram realizados quatro escrutínios e, após dez anos, pela primeira vez, verdadeiras mudanças ocorreram. De repente, o jogo não é mais o mesmo, e percebe-se um real desejo de modificação tanto pelos atores sociais principais como pela população. Oitenta e seis por centro dos franceses votaram no primeiro turno da eleição presidencial. Desejo que, de acordo com o costume do país, não é realmente claro, e pode causar surpresas antes de virar realidade. Os chefes dos dois grandes partidos da direita e da esquerda, para a eleição presidencial, foram e são personagens fora do comum. Uma mulher, Ségolène Royal; um homem, Nicolas Sarkozy, cada um com pouco mais de cinqüenta anos. Os dois obcecados pela vitória. Desde suas origens até maio de 2007, o caminho percorrido não é aquele que um pai burguês traçaria para seus filhos. Nenhum dos dois obedece aos critérios da sociedade tradicional francesa. Ségolène é de família militar. Estudante brilhante, formou-se na École Nationale d`Administration, instituição de destaque dentro do ensino superior francês. Lá, conheceu um jovem considerado excepcional: François Hollande, atual secretário-geral do Partido Socialista. Ela entrou no Palais de l`Elysée com o apoio do clã do presidente da República, François Mitterand. Hollande e Ségolène tiveram quatro filhos, mas não se casaram. Ao mesmo tempo em que foram divulgados os resultados do segundo turno das eleições legislativas, a Imprensa publicou que o casal estava se separando. O jornal Le Parisien saiu com a manchete, segunda-feira, 17 de junho: A ruptura. Hollande insiste em dizer que se trata de um problema pessoal. Ségolène declara que ela deseja tomar a direção do partido. A vida de Sarkozy também é marcada por muitos movimentos. Filho de um nobre húngaro fugitivo do comunismo, foi criado na França, onde estudou e se formou em Direito. Antes de receber seu diploma de advogado, em 1977, foi eleito conselheiro municipal de Neuilly, subúrbio requintado de Paris, onde também foi prefeito, em 1983. Sarkozy ingressou na vida política como direitista. E lá ficou. O ano de 2002 revelou-se um período importante para ele, quando Lionel Jospin, primeiro-ministro socialista, foi ultrapassado no primeiro turno da eleição presidencial por Jean-Marie Le Pen, chefe da extrema-direta. No segundo turno, Jacques Chirac venceu as eleições com facilidade, pois a esquerda juntou seus votos aos da direita clássica. Nessa época, Sarkozy entrou no jogo e assumiu o Ministério do Interior. Posteriormente, ocupou o cargo de ministro da Economia das Finanças e da Indústria. Em 2005, no governo conduzido por Dominique de Villepin, volta a ser ministro do Interior e, desde então, não esconde sua ambição: “Eu prefiro arriscar e me arrepender do que não ter agarrado a oportunidade apresentada”, e, quando esta não se apresentava, ele ia buscá-la, mesmo desagradando a todos, fazendo lembrar Bonaparte. Em novembro de 2004, é eleito presidente da União por um Movimento Popular (UMP) e se coloca na posição de candidato do governo à eleição presidencial de 2007. Durante certo tempo, Jacques Chirac, Dominique de Villepin e Sarkozy dão a impressão de serem concorrentes. A Imprensa contribui com a confusão, mas, quando chega a hora, Sarkozy é designado o candidato da UMP para a Presidência, e vai para a batalha sem rival. Ganha o primeiro turno e se impõe no segundo, 53% contra 47%. As esperanças do candidato do centro, François Bayrou, em boa posição no primeiro turno, são desfeitas. Chefe de Estado, Sarkozy não perde um minuto para imprimir sua marcar no Palais de l`Elysée. Instala um governo dirigido pelo amável deputado de Sarthe, François Fillon, mas a inspiração, com certeza, virá do patrão. A única pessoa que lhe rouba a cena nessas horas febris é Cecilia Sarkozy, sua esposa. Espanhola com pai russo, mulher bonita que casou com ele em 1992. O casal viveu certas dificuldades que ela não esconde, porém, agora tudo vai bem nessa hora de glória. O momento forte da jovem Presidência será certamente a abertura do governo aos homens de esquerda. Sarkozy, após ter conquistado nas urnas a extrema-direita de Jean-Marie Le Pen, atrai para sua causa um homem como Bernard Kouchner, que será seu ministro das Relações Exteriores, fundador do Medecins sans Frontières, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua ação na antiga Iugoslávia e diz ser um “militante da esquerda aberta, audaciosa e moderna”. Entra, também, como ministra da Justiça, uma advogada norte-africana, Rachida Dati. Em seguida, virá uma jovem mulher de origem senegalesa. Rama Yada, secretária de Estado para Assuntos Externos e Direitos Humanos, que trabalhará com Kouchner. Enfim, Fadela Amara, nomeada secretária de Estado na Política da Cidade, de origem argeliana, incentivadora do movimento: ni putes, ni soumises. O primeiro turno das eleições legislativas do dia 10 de junho confirma a alegria de Sarkozy. O segundo turno mostra uma nuvem na satisfação da UMP. Seguramente, o governo tem maioria confortável na Assembléia, com 313 deputados do partido UMP, congregando ainda 22 de partidos aliados, mas o partido socialista tem 186 deputados com 37 a mais do que tinha em 2002. No dia seguinte ao segundo turno, a manchete do jornal de direita Le Figaro era Sim, mas. O presidente vai precisar de todo o seu talento para convencer os franceses de que para ganharem mais vão precisar trabalhar mais. |
||
| Matéria de Capa | |||
| Gastronomia | |||
| IEDs | |||
| |
|||
| Editorial | |||
|
Notas |
|||
| Entrevista | |||
| Artigo Faust | |||
| Câmara Destaque | |||
| Caderno Francês | |||
| Registro de Viagem | |||
|
EDITORA
CONTEÚDO
Tel.: (11)3898-0195 Fax: (11) 3062-7319 www.conteudoeditora.com.br |