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DESTINO |
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![]() Françoise
Terzian
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Nº
283
Julho/Agosto 2007 |
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| Tour de France | |||
| Matéria de Capa | |||
| Gastronomia | |||
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Depois dos resultados
acanhados dos últimos |
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| IEDs | |||
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| Editorial | |||
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Notas |
O
Brasil passa atualmente por mais um momento histórico na
sua economia. O volume líquido recorde de Investimentos Estrangeiros
Diretos (IED's) alcançado em junho – US$ 10,318 bilhões – corresponde
a um total dez vezes maior do que o de US$ 1,060 bilhão obtido no
mesmo período do ano passado, superando todas as previsões do Banco
Central. O valor conquistado durante o mês, na realidade, é conseqüência
de uma série de resultados positivos, registrados desde o início do
ano. No primeiro semestre, o total de IED's foi de US$ 20,86 bilhões
– em 2006 foram US$ 7,38 bilhões –, significando um crescimento de
182,5%. De acordo com o Banco Central,
operações especiais – como a compra de ações de minoritários da Arcelor
Brasil pelo grupo mundial Arcelor Mittal – contribuíram para o aumento
nos índices. A realização do negócio elevou para aproximadamente US$
5 bilhões o investimento estrangeiro no segmento siderúrgico nacional.
No setor financeiro, o destaque foi o aporte de recursos do Deutsche
Bank no Unibanco, enquanto em serviços ocorreu a compra da Serasa
pela empresa britânica Experian. Com o aumento dos investimentos, o mercado passou a rever suas metas para 2007. Os US$ 25 bilhões de IED's previstos até o fim do ano saltaram agora para US$ 28 bilhões. “Os índices encontra-se bem elevados e estamos quase atingindo os níveis de 2000, quando, em decorrência das privatizações, os investimentos estrangeiros totalizaram US$ 30 bilhões”, analisa Wiliam Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV–SP. Diante de um cenário econômico mundial favorável, com liquidez em alta, países emergentes como Brasil, Índia e China mantêm boas expectativas de crescimento. A confiança dos investidores estrangeiros no Brasil resulta no interesse pelos projetos de longo prazo. “O país passa por um processo de estabilidade econômica, com um ambiente inflacionário pequeno e uma demanda interna forte”, analisa Leonardo Miceli, economista da Tendências Consultoria. Nem mesmo as recentes crises de corrupção e do apagão aéreo conseguiram alterar esse quadro, fatos que, segundo o coordenador da FGV–SP, têm provocado menos impacto que no passado. Com isso, setores como o financeiro (com a compra de bancos de pequeno e médio porte), o de construção civil e o de telecomunicações têm atraído mais capital estrangeiro. Eid observa que as oportunidades nesses segmentos têm impulsionado a posição do Brasil na América Latina. Em 2006, o total de investimentos nos países da região alcançou US$ 72,44 bilhões. O México liderou a lista, com US$ 18,94 bilhões (26,1%), enquanto o Brasil ocupou a segunda posição, com US$ 18,78 bilhões (25,9%), seguido do Chile, com US$ 8,05 bilhões. “A adoção de medidas eficientes de combate à corrupção e um marco regulatório transparente aumentariam ainda mais esse resultado”, avalia o economista, ao destacar as oportunidades na área de infra-estrutura. Atenta a esse fato, a Gefco recentemente se tornou operadora logística da Companhia de Celulose e Papel do Paraná (Cocelpa). O contrato de R$ 6 milhões anuais responsabiliza a empresa pela atuação mundial da Cocelpa nessa área pelos próximos cinco anos, o que inclui serviços de transporte, aéreos, marítimos, aduaneiros, entre outros, com destaque para os países do Mercosul. Além da Gefco, grandes empresas francesas – como Carrefour, Renault, Lafarge, Cetelem e Essilor – têm contribuído para o aumento no número de IED's provenientes da França, que corresponderam, até junho, a US$ 259 milhões. Um dos exemplos de investimento foi a aquisição da rede de hipermercados Atacadão – com 34 lojas e uma participação de 4% do mercado – por R$ 2,2 bilhões pelo Carrefour, que recuperou, depois de seis anos, a liderança no setor de varejo nacional. Ao anunciar a compra, a empresa – que em 2006 conquistou um faturamento de R$ 12,6 bilhões no Brasil – afirmou que o acordo lhe renderia “um segmento de clientela adicional”, complementar a sua oferta de estabelecimentos. Crédito consignado – Destaque na captação de IED's, o setor financeiro também registrou – por meio da compra de bancos de pequeno e médio porte – investimentos de empresas francesas. No início de julho, o grupo BNP Paribas, por meio de sua financeira Cetelem, anunciou a aquisição de 100% do Banco BGN, pertencente ao grupo Queiroz Galvão, uma das dez maiores instituições ligadas ao crédito consignado. Ainda em fase de aprovação pelas autoridades brasileiras, o negócio prevê permuta de ações entre os grupos. Hoje, o banco BGN apresenta uma carteira de quase R$ 1,5 bilhão, mais de 600 mil clientes ativos e 1,1 mil colaboradores com know-how no mercado de crédito. “A aquisição do BGN vem ao encontro da estratégia de expansão do grupo BNP Paribas no Brasil e posiciona a Cetelem como um player importante do crédito consignado, mercado que mais cresce no país e deve continuar apresentando bons níveis de expansão”, justifica François Villeroy, presidente e diretor-geral da Cetelem no mundo. Franck Vignard-Rosez, diretor-executivo de desenvolvimento e marketing da Cetelem Brasil, afirma que o país é um mercado prioritário para a empresa. Dentre os 27 países onde atua, este é provavelmente o de maior potencial de crescimento. “O setor do crédito ao consumidor está em plena expansão”, explica Vignard-Rosez, ao reforçar que, em 2006, o segmento cresceu mais de 20%. “O nicho do crédito consignado, por sua vez, praticamente chegou a 40%”, completa. Especialista mundial na área de diagnóstico por imagem, a Guerbet Produtos Radiológicos investe no potencial da indústria farmacêutica brasileira, com base em uma estratégia de crescimento para os próximos dez anos. Na única fábrica localizada fora da França – especificamente no bairro de Jacarepaguá na cidade do Rio – a previsão de investimentos é de até 5 milhões de euros, em cinco anos. Com metas de otimizar ainda mais os processos e aumentar a produção, a empresa investiu 500 mil euros no processo de purificação da água e ampliou em 30% seu quadro de funcionários, superando, com isso, a demanda de produtos da matriz francesa. “A Guerbet do Brasil é a única empresa no país que fabrica meios de contrastes com significativo volume de exportação. Hoje, temos a possibilidade de substituir eventuais emergências de produção para a matriz, com aval das autoridades sanitárias francesas após inspeção realizada”, conta Gilberto Liorci, diretor-geral da filial brasileira, que, recentemente, recebeu convite para assumir a vice-presidência das Américas na sede francesa da empresa. Com mais de 20 anos de experiência, o executivo tem a missão de aumentar a inserção da companhia em sua nova área. No período em que atuou no Brasil, Liorci aumentou em 140% o faturamento da empresa, que passou de 8 milhões de euros para mais de 19 milhões de euros, em 2006. Detentora de 50% do mercado nacional de lentes oftálmicas, a multinacional francesa Essilor International exporta seus produtos por intermédio do Brasil. Atuando em segmento que cresce de 15% a 20%, desde 2003, a empresa chegou a investir US$ 15 milhões no país com o objetivo de aumentar sua produção de lentes anti-reflexo, resultando, atualmente, no maior conjunto industrial de produção de anti-reflexo da América Latina, composto por cinco Centros de Tratamento Anti-reflexo Essilor, localizados no Rio de Janeiro, em São Paulo, Fortaleza, Curitiba e Belo Horizonte. Segundo Laurent Schmitt, presidente da Essilor Brasil, a empresa investe fortemente em todas as regiões do Brasil, importa equipamentos de última geração, treina e capacita sua mão-de-obra constantemente. “São mais de mil funcionários, pois, além dos Centros, a Essilor tem uma fábrica, localizada em Manaus (AM), considerada a mais produtiva entre as 16 instaladas pelo mundo”, explica. Nela são produzidos anualmente mais de 20 milhões de lentes, 20% das quais seguem para países latino-americanos e asiáticos, como a Índia, além do Canadá e da Austrália. Assim como a Essilor, a francesa Nexans, ex-divisão de cabos da Alcatel, tem grandes perspectivas para o Brasil. Além de ampliar e modernizar sua unidade fabril instalada em Lorena, interior de São Paulo – que recebeu investimento de cerca de R$ 25 milhões –, a empresa vai inaugurar, no segundo semestre, uma unidade de produção de fios e cabos de cobre em baixa e média tensão, com planos de reforçar sua participação no mercado de condutores elétricos e em projetos de linhas de transmissão, construção e indústria. Com o objetivo de dobrar sua presença em território nacional nos próximos anos, a empresa – líder no mercado de cabos de alumínio no Brasil – fornece seus produtos, principalmente, para os setores de transmissão e de distribuição de energia, que representam 85% de seus negócios no país. Atualmente, a Nexans produz 3,5 mil toneladas por mês de cabos de alumínio, e fechou o ano de 2005 com um faturamento acima de R$ 360 milhões. Fontes de energia – Alinhada às oportunidades do setor de construção civil, a Lafarge investiu, em 2006, R$ 29 milhões na manutenção e melhoria das unidades fabris brasileiras, na implantação de novos processos de produção ambientalmente corretos – com a utilização de fontes de energia alternativa, de co-processamento, de redução de emissão de CO2 – e na aquisição de uma estação de moagem, com capacidade de 500 mil toneladas/ano, em Minas Gerais. “Para 2007, a previsão é manter o mesmo patamar de investimentos, da ordem de R$ 30 milhões”, explica Christophe Nicoli, presidente da Lafarge Brasil, ao afirmar que o país é um mercado estratégico, principalmente, pelo aumento de consumo de cimentos desde 2006. “A possibilidade de crescimento da Lafarge no Brasil é grande. O consumo de cimento per capita no país é de 188 kg/hab, enquanto na Espanha, por exemplo, é de 1.166 kg/hab, na Itália é de 795 kg/hab e nos EUA, 409 kg/hab”, conclui. Referência mundial em fornecimento de produtos e serviços de Tecnologia da Informação (TI), a Bull também tem reforçado sua estratégia de crescimento no Brasil. Dentro do plano de investimento do grupo, a empresa decidiu impulsionar os aportes financeiros na Europa – com a compra de companhias na Espanha e na Polônia – e na América Latina. “Pretendemos aumentar nossa participação no Brasil e isso pode ocorrer por meio de aquisições”, revela Alberto Araújo, diretor-geral da Bull no Brasil. A empresa, que faturou US$ 50 milhões em 2006 com a venda de serviços (responsável por 95% da receita), tem o objetivo de alcançar US$ 70 milhões em 2007. Hoje, a Bull registra um crescimento de 20% na sua estrutura no país. Os planos incluem um aumento de 25% a mais por ano por meio de aquisições de empresas de serviços de TI, voltadas para atendimento a Telecom, utilities, bancos e setores públicos. No setor automotivo, um dos mais promissores da atualidade, a Renault prevê – em seu plano de metas Renault Contrato 2009, implantado em agosto de 2006 – investimentos de US$ 360 milhões nas operações brasileiras nos próximos dois anos. Jérôme Stoll, presidente da Renault Brasil, estabeleceu como desafios: posicionar o Mégane entre os três primeiros em qualidade de produto e de serviço, dobrar o volume de vendas da empresa e atingir margem operacional até 2009. Embora as propostas sejam ambiciosas, Stoll reforça sua possibilidade de realização. “As metas estão bem definidas e adaptadas à realidade do mercado brasileiro. Além disso, nossas fábricas terão um nível de utilização alto, o que vai favorecer a maior produtividade e redução de custos”, afirma. O desafio de lançar cinco novos modelos no Brasil elevará a atual produção de veículos da marca das 78 mil unidades de 2006 para cerca de 170 mil veículos em 2009. Com a expectativa de maior produção, a Renault estima que as vendas internas devam duplicar até lá, para atingir 106 mil unidades e uma participação de mercado de 5,7%. Mesmo diante de um cenário de crise no setor aéreo, a Air France mantém seus planos de investimento inalterados. Com o aumento nos vôos São Paulo–Paris nos últimos 12 meses, a empresa, segundo Isabelle Birem, diretora-geral da Air France KLM no Brasil, ampliou o número de assentos em 70,65%. A partir de outubro, o mesmo ocorrerá no Rio de Janeiro, que terá um aumento de 53%. “O grupo Air France KLM bateu um recorde de passageiros transportados entre Brasil e Europa no ano fiscal 2006–2007 (encerrado em março): 762 mil, 8% a mais do que no ano fiscal anterior e três pontos porcentuais acima do aumento consolidado da empresa em todo o mundo, no mesmo período”, explica Birem. A companhia também tem investido em vendas de passagens pela internet, cujo custo sai cerca de 5% menor para o cliente. |
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