
A ARTE DE INOVAR
Airbus:Lançamento do A380, o maior avião comercial da história. O double-decker, que transportará, ao menos, cinco centenas de passageiros, foi desenvolvido com matéria-prima diferenciada e inovadora.
Air France: Curso de idiomas a bordo das aeronaves, sistema de comunicação em tempo real com os passageiros pela internet ou celular, refeições freqüentemente redesenhadas por grandes chefs.
Alcatel-Lucent: A empresa quebrou o recorde mundial ao transmitir 25.6 TB (terabits) de dados por segundo, o equivalente a 600 DVD´s, sobre fibra óptica única, usando um canal 160 WDM.
Carrefour: Criou a fórmula do hipermercado, com a primeira abertura de loja em 1963, na França.
Citroën: NaviDrive é um sistema de última geração composto por GPS (sistema de navegação); telefone GSM de dupla banda, mãos livres, com acesso a agenda e sistema áudio, com rádio e carregador de CD.
Danone: Iogurte Activia, desenvolvido para ajudar a regular o intestino preguiçoso, pois contém o exclusivo bacilo DanRegularis, um probiótico que sobrevive à passagem pelo trato grastrointestinal e chega vivo ao intestino.
L’Oréal: Sculpt Up, gel-creme para abdômen e glúteos que contém Pro-TensylT, um complexo que associa polímeros tensores a um derivado de alga parda silicificada. Juntos, ajudam a reforçar os tecidos de sustentação da pele.
Michelin: Em 1997, a Michelin criou um conceito revolucionário (PAX System): pneu de engate vertical, que funciona com um apoio interno para a rodagem com o pneu vazio. Permite ao veículo continuar rodando mesmo com a perda de pressão.
Peugeot: Com o Multiplexed Integrated Inteligence, a Peugeot trouxe da indústria aeronáutica a multiplexagem, sistema que gerencia as funções eletrônicas, controlando motor, transmissão, ligações e equipamentos de conforto e segurança de forma centralizada, na caixa de serviço inteligente.
Renault: O Clio foi o primeiro carro da categoria popular a ter airbag duplo de série em todas as versões. Além disso, tem pára-lamas frontais em fibra de carbono e uma mecânica bastante resistente.
Ticket: Foi a empresa do grupo Accor que trouxe o Ticket Restaurante ao Brasil, em 1976. Ele se tornou o símbolo de sua categoria e foi copiado por várias outras empresas.
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Nº
283
Julho/Agosto 2007 |
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| Tour de France |
Maior avião comercial de passageiros da história, o Airbus A380 é resultado de dez anos de desenvolvimento e de investimentos de aproximadamente 12 bilhões de euros. Símbolo da inovação francesa, esse ambicioso projeto foi conduzido simultaneamente por profissionais de 15 cidades localizadas em quatro países europeus. Cerca de 40% da sua estrutura é composta por fibra de carbono e novas ligas metálicas, enquanto a parte superior da fuselagem revolucionou o mercado ao utilizar um material chamado Glare, que combina finas lâminas de alumínio com fibras de vidro. Graças a essa invenção, a aeronave, com capacidade para 555 passageiros, tornou-se 800 quilos mais leve. Hoje, praticamente o mundo inteiro reconhece a importância da Airbus na evolução da aviação mundial. No entanto, poucos sabem que, para sair do papel, o A380 contou com a expertise da Altran, uma consultoria francesa especializada em inovação. Presente em diferentes fases do desenvolvimento da aeronave, a Altran tem uma missão de vital importância no mundo dos negócios: auxiliar empresas interessadas em inovar produtos, processos e serviços, por meio de estratégia, gestão, engenharia e Tecnologia da Informação (TI). À frente de companhias como Arthur D. Little, Cambridge Consultants, Hilson Moran, Control Solutions, Media Aerospace, Praxis e Synetics, a Altran transformou-se numa das líderes globais mais requisitadas do momento. Com isso, faturou US$ 2 bilhões em 2006 – o que lhe dá o título de maior consultoria européia em inovação da atualidade. Por trás desses números grandiosos, há outros. Atualmente, a empresa atua com uma força-tarefa de 17 mil profissionais, tem 90% das 500 maiores companhias da lista da revista Fortune como clientes e apresenta know-how excepcional em estratégias para o futuro. “Ajudamos as empresas a traçar seu futuro guiado pela inovação, fator determinante para os interessados em atuar no mercado global”, afirma Patrick Dauga, presidente da Altran no Brasil. Numa era em que produtos, serviços e processos inovadores tornam-se obrigatórios para as companhias dispostas a competir em mercados cada vez mais exigentes, o mapa mundial da inovação deixou de ser uma exclusividade de países como os Estados Unidos e o Japão. Obviamente, esses mercados ainda se mantêm na liderança, como mostram as análises e classificações do Boston Consulting Group, da revista Business Week e do Knowledge Wharton. De acordo com dados desses levantamentos, as dez empresas mais inovadoras do mundo são americanas e japonesas (Apple, Google, 3M, Toyota, Microsoft, GE, Procter & Gamble, Nokia, Starbucks e IBM). Apesar de boa parte dos estudos e pesquisas identificarem os dois países como exemplo de inovação, especialistas advertem que classificações como essas não correspondem exatamente à performance em relação ao tema. Segundo o Global Innovation Scoreboard de 2006, relatório elaborado pelo MERIT (Maastricht Economic and Social Research and Training Centre on Innovation and Technology), o mundo pode ser dividido em quatro grupos de países: os líderes, os bem colocados, os seguidores e os retardatários. A Finlândia e a Suécia são classificadas como líderes, deixando para trás o Japão e os Estados Unidos. A segunda melhor colocação vai para Alemanha, Dinamarca, Holanda, Canadá e França. O Brasil, entretanto, aparece na lista dos retardatários. “A inovação não é mais uma exclusividade de um país, e a globalização, com possibilidade de maior acesso à informação, tem demonstrado isso”, afirma Diógenes Feldhaus, diretor de propriedade intelectual e desenvolvimento de parcerias da Agência de Inovação Inova Unicamp – responsável por registrar e negociar patentes de descobertas da universidade e estabelecer parcerias com a iniciativa privada. Apesar da classificação negativa do Brasil no relatório do MERIT, seis exemplos de criações desenvolvidas em terras nacionais foram incluídos em um recente estudo da empresa de consultoria Innovation Management, do Monitor Group, que listou as 101 inovações mais importantes do mundo nos últimos tempos. Os destaques brasileiros foram as sandálias Havaianas, da Alpargatas; a tecnologia de motores bicombustível; a máquina de venda de livros, criada pela 24X7 Cultural; o modelo de comercialização das Casas Bahia; a venda porta a porta da Natura, e os jatos Embraer. Quanto à França, a quarta Pesquisa Comunitária sobre Inovação (CISA), lançada na Europa em 2005, mostra que as empresas mais inovadoras do país são de médio e grande porte e respondem por mais de 60% do volume de negócios em seus respectivos setores. Danone (39ª), Renault (49ª), L’Oréal (50ª) e LVHM (93ª) são as mais bem classificadas no ranking. A pesquisa revela ainda que as líderes em inovação, geralmente, são as companhias voltadas para o mercado internacional, em especial dos setores industrial, bancário e de seguros, seguidas pelos segmentos farmacêutico e de cosméticos, componentes eletroeletrônicos e automotivo. As relações bilaterais entre Brasil e França também tendem a beneficiar a inovação em ambos os países. “O Brasil, hoje, é um excelente lugar para as empresas francesas ampliarem seus esforços nesse sentido”, diz Feldhaus. Sua afirmação é baseada no marco regulatório recente do país (lei de inovação), no aumento da atividade de interação entre universidade e empresa (vide exemplo da Unicamp) e na compatibilidade cultural, uma vez que o brasileiro nutre simpatia e colaboração com os colegas da indústria e da academia francesa. Incentivo do governo – Airbus, Renault, Peugeot, Citroën, Dassault, Rhodia, grupo LVHM, L`Oréal, Danone, Essilor vendem a inovação em seus automóveis, cosméticos, alimentos, entre outros. De forma direta ou indireta, muitas delas desenvolvem novos produtos e processos com incentivo do governo francês. Embora cada empresa realize investimentos pesados em P&D (Pesquisa & Desenvolvimento), há muito tempo a inovação é considerada uma prioridade pela política francesa. Da criação da Anvar (Agence Nationale de Valorisation de la Recherche), em 1979, à promulgação da lei de inovação, em 1999, o governo francês tem criado medidas freqüentes de apoio à inovação. A Anvar, por si só, revolucionou o cenário francês. Esta agência governamental destina-se ao financiamento dos projetos de P&D, tanto no ambiente de pesquisa quanto nas empresas. De acordo com um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), as companhias francesas estão entre as maiores investidoras em Pesquisa e Desenvolvimento do mundo (3% do faturamento). No Brasil, o índice é de 1%. Nos anos 1980, surgiram as “pépinières” (incubadoras) e os “CEEI”, ambientes de hospedagem e acompanhamento das jovens start-ups inovadoras. Ao mesmo tempo, são criadas as “Células de Valorização” (Agências de Inovação) em universidades francesas, responsáveis por valorar seus resultados de pesquisa. Em 1999, com a Lei de Inovação, desenvolveu-se um novo instrumento na França: o Concurso nacional de criação de empresas de tecnologias inovadoras (CETI). Seu objetivo é o de detectar e recompensar os melhores projetos e torná-los realidade por meio da alocação de recursos financeiros. Resposta às mudanças – Como nem todos os mercados e suas empresas têm mão-de-obra preparada e tempo para buscar a inovação, a contratação de especialistas supre a demanda. “Não é a mais forte das espécies a que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela que melhor responde às mudanças”, afirma, em alusão à frase dita por Charles Darwin, Claudine Bichara de Oliveira, diretora-executiva da neTune, empresa de consultoria, assessoria e pesquisa em Tecnologias de Informação e Comunicação. Quem corre atrás de soluções e parceiros mais rapidamente tem mais chance de obter sucesso no futuro. Daí a explicação para a Air France ter buscado os serviços da Altran, época em que ela redefiniu sua primeira classe. O trabalho estratégico da consultoria francesa foi determinante para a companhia aérea definir as novas poltronas, os espaços e até mesmo o preço das passagens. A Air France, por sinal, é um bom exemplo de empresa que inova constantemente em produtos e, principalmente, em serviços. No primeiro semestre de 2009, a companhia iniciará a operação do A380, o que vai torná-la a primeira empresa européia a utilizar a aeronave no mundo. As preparações para integrar esse superjumbo à frota já começaram. Uma série de testes de compatibilidade teve início no Aeroporto de Paris–Charles de Gaulle. Isabelle Birem, diretora-geral da Air France KLM no Brasil, diz que a companhia encomendou 12 unidades do A380 e suas primeiras rotas serão para os Estados Unidos e o Japão. A aeronave contará com 538 assentos, divididos em três classes, e terá o motor menos poluente do mundo. Para tornar a viagem mais agradável, o serviço de bordo é constantemente revisto e novos recursos são implementados. “Investimos em inovações a fim de trazer facilidades tecnológicas aos nossos clientes, estejam eles na primeira classe ou na econômica”, afirma a diretora-geral. Desde abril, os passageiros que viajam nos Boeings 777-300 podem ter aulas de idiomas em suas telas individuais, localizadas nas poltronas. Esse sistema audiovisual e totalmente interativo foi desenvolvido em parceria com a Berlitz World Traveller e inclui um professor virtual, exercícios de pronúncia, testes e jogos – são 23 línguas disponíveis em nível iniciante. Recentemente, a companhia disponibilizou uma ferramenta que vai facilitar a rotina dos passageiros em trânsito. Em qualquer parte do mundo, 24 horas por dia e sete vezes por semana, com um celular, é possível checar uma série de informações, como horário, terminal de chegada e partida do vôo e o balanço do programa de milhagens. Apesar de o know-how francês abranger diversos segmentos de mercado, o país se destaca no setor de aviação. Neste momento, a Altran patrocina o Solar Impulse, avião projetado pelo suíço Bertrand Piccard, com 80 metros de comprimento e movido a energia solar. Como ele é capaz de armazenar energia durante o dia, também pode ser pilotado à noite. Desenvolvido com a participação da Agência Espacial Européia, incluindo cerca de 60 engenheiros de várias nacionalidades, o projeto vem sendo amplamente beneficiado pela participação da Altran. Com experiência multidisciplinar na gestão de projetos e de riscos em setores como aeronáutica, energias renováveis e desenvolvimento sustentável, a consultoria francesa criou um simulador para antecipar as possíveis dificuldades da trajetória da aeronave, na volta ao mundo, com data marcada para maio de 2011. A companhia também ajudou a refazer todo o sistema de controle do tráfego aéreo do Aeroporto Heathrow de Londres, assim como participou da decisão da Renault de montar uma fábrica na Romênia para expandir a exportação de veículos a partir do Leste Europeu. Com a crise na aviação brasileira, a Infraero é seu próximo alvo. Conversas entre as duas partes já tiveram início. Dauga explica que o Brasil é um dos dez maiores mercados para a empresa e um dos quatro com maior potencial de crescimento. Cartões inteligentes – Inovação em serviços tornou-se um item cada vez mais importante para superar a concorrência, segundo Gustavo Chicarino, diretor de estratégia e desenvolvimento de novos negócios da Ticket Serviços. Desde o produto Ticket Restaurante, que foi trazido da França para o Brasil na década de 1970 por Firmin António (fundador do grupo Accor no Brasil), até os cartões eletrônicos de hoje, a Ticket é uma empresa que sempre buscou estar à frente do seu tempo. Hoje, ela oferece sete famílias de produtos e vários recursos tecnológicos, como um canal na internet para a venda do Ticket Refeição, Alimentação e Combustível para empresas de cinco a 49 funcionários. “É caríssimo mandar um vendedor neste ambiente, daí veio a idéia de usar a web para facilitar a vida do cliente e reduzir custos”, conta Chicarino. O pagamento ocorre via boleto bancário, que o próprio cliente imprime pela internet. A Ticket Serviços lançou recentemente uma plataforma própria para o gerenciamento e processamento de cartões: o SGC (Sistema de Gestão de Cartões). Líder no mercado de refeição-convênio, a companhia francesa passa a ter gestão de seus 2,5 milhões de cartões nos mais de 21 milhões de transações realizados mensalmente com Ticket Alimentação, Ticket Restaurante Eletrônico, Ticket Parceiro e Ticket Car. “Somos pioneiros em oferecer tecnologias avançadas e dispositivos inteligentes. Com esse projeto, vamos proporcionar maior conforto para nossos clientes e usuários, além de eficácia mercadológica e operacional, melhor gestão financeira e vantagens em relação à rentabilidade do negócio”, afirma Alaor Aguirre, diretor-executivo da Ticket. Orçado em R$ 20 milhões, o projeto do SGC também aumenta a competitividade. A nova plataforma foi preparada para gerenciar seis milhões de cartões e responder 500 transações por segundo. “Hoje, se a empresa fosse uma instituição bancária, ocuparia o posto de quarto maior banco do país em cartões ativos”, compara Alaor. Inovar, revolucionando o mercado e ampliando o portfólio de serviços, faz parte do posicionamento da Ticket. Uma das principais evoluções da empresa nos últimos anos foi a implantação da tecnologia de cartões eletrônicos, em substituição aos comprovantes de papel, a qual ofereceu maior praticidade a milhões de usuários. Mais recentemente, o desenvolvimento do comércio eletrônico via internet, para agilizar as transações comerciais das empresas-clientes e estabelecimentos credenciados (B2B). Essas evoluções acopladas a um inovador estilo de gestão, baseado em análises mais eficientes e mais próximas da realidade, é a chave para abrir novas frentes de negócios no mercado de serviços empresariais. A implantação do SGC é uma continuidade dos processos de modernização que a Ticket iniciou em 2001, com o Projeto de Reengenharia. Nessa fase, a companhia redefiniu sua estratégia de negócio, investiu na ampliação do portfólio, no lançamento de novos produtos e na sua modernização tecnológica. Diante das preocupações crescentes com o aquecimento global, a empresa decidiu fazer sua parte. A inovação, neste caso, é ambiental. Desde o início do ano, o voucher do Ticket Restaurante está de cara nova. Com um formato menor, a Ticket otimizou o processo de produção e, com isso, economizará 45 toneladas de papel por ano – o equivalente a mais de 1,5 mil árvores usadas na produção de celulose. “Pensar na sustentabilidade da sociedade também faz parte do pensamento estratégico da companhia”, afirma Reynaldo Naves, diretor de marketing da Ticket Serviços. Círculo virtuoso – Mas, afinal, quais são os passos para inovar? Que investimentos uma empresa deve fazer para oferecer ao mercado produtos, serviços ou processos diferentes e melhores do que os da concorrência? Para Feldhaus, da Unicamp, a inovação deve ser conduzida como uma estratégia sem compromisso. “As empresas precisam deixar de vê-la como um processo difícil, doloroso, que exija sorte”, afirma. De acordo com ele, a maior dificuldade de alcançar o sucesso reside na atitude das empresas e organizações durante a busca pela inovação. “É necessário constância de propósito, mudança nos critérios decisórios sobre investimentos e política de P&D”, ensina Feldhaus. Para inovar, é importante apostar numa cadeia de valores que leve as novas idéias ao mundo dos negócios. “A dificuldade está na gestão da inovação”, explica Claudine. Inovar também significa investir e correr riscos. É isso que uma empresa inovadora faz diariamente. Para acertar, é preciso errar também, durante pesquisas, testes e projetos piloto. Especialistas concordam que os investimentos em P&D precisam estar acima de 1% sobre o PIB para ter impacto sobre o desenvolvimento de suas economias. De acordo com a Unesco, nos países mais desenvolvidos, a porcentagem está acima de 2%. A Suécia, por exemplo, investe 3% de seu PIB em P&D, enquanto os Estados Unidos apostam 2,5% e a Europa Ocidental 1,8%. Do ponto de vista corporativo, os setores que registram mais investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento são: farmacêutico, biotecnologia, automobilístico (partes e peças) e de equipamentos de Tecnologia da Informação (TI). Claudine acredita que o processo de inovação deve ser sistêmico e alimentar um círculo virtuoso. “É sempre possível incluir as cinco fases da inovação em todos os setores da empresa – buscar, explorar, comprometer-se, compreender e otimizar –, retornando sempre à análise dos resultados e à busca de melhorias”, sugere. |
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