Para discutir a questão da governança corporativa de forma abrangente, a CCFB–SP criou a Comissão de Governança Corporativa, liderada por Pedro Antônio Gouvêa Vieira e vice-liderada por Frédéric Dyèvre. No evento de apresentação da comissão, realizado em outubro, José Guimarães Monforte, presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), enfatizou a importância da adoção desse modelo, que visa preservar e aumentar o valor das organizações, facilitando seu acesso ao capital, e citou a Natura, associada da CCFB, como exemplo de sucesso nesse tipo de gestão. No Rio de Janeiro, o tema foi abordado por Gustavo Franco,
ex-presidente do Banco Central, e Mário Fleck, em almoço também realizado em outubro, pela CCFB–RJ e pelo IBGC. Durante o evento, os sócios falaram sobre a importância do investment grade para o Brasil e a prática da governança corporativa, destacando o alinhamento de interesses entre acionistas e os componentes necessários para viabilizar a implantação de estratégias com resultados nas empresas.

Organizado pela CCFB–SP, no mês de outubro, em parceria com a APEX e o Sebrae–SP, o seminário Como Exportar para a França reuniu profissionais de pequenas e médias empresas interessados em reverter a atual condição da Balança Comercial. Em palestras de Antonio Ludovico – especialista do setor –, Walkiria Dutra de Oliveira – da exportadora de artesanato Fazer Bem –, Emilio Bocchino – da Brasfruit, especializada em frutas exóticas – e Paola Robba – da fabricante de moda praia Poko Pano, o encontro destacou os desafios do mercado francês e a importância de entidades como a CCFB, a APEX e o Sebrae no fornecimento de dados e resultados de estudos. Estratégias de vendas, como a participação em feiras internacionais, a credibilidade da marca e a adaptação de produtos de acordo com a estilo de vida e cultura de cada país, foram algumas das dicas dos palestrantes. Em 2007, as empresas que mantêm relações comerciais com a França serão destaque no Prêmio Exportador–Importador, lançado no evento pela CCFB–SP.

RELAÇÕES BRASIL-EUROPA
Em parceria com as Câmaras Alemã, Italiana e Portuguesa, a CCFB–MG realizou o seminário O Futuro das Relações Comerciais Brasil–Europa, que contou com as apresentações de Martha Lassance, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Fiemg; Rodrigo de Azeredo Santos, subchefe da Divisão de Operações de Promoção Comercial do Ministério de Relações Exteriores; Mário Mugnaini, secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX; Paulo Eduardo Pinto, do grupo Transaex, e Paulo Esteves Lavigne, professor da Universidade Católica de Minas Gerais.

MODELO DE GESTÃO
DESTINO FRANÇA
A CCFB–MG participou no mês de setembro, em Belo Horizonte, da Ecolatina 2006 – 6a Conferência
Latino-americana sobre Meio Ambiente e Responsabilidade Social. Cerca de cinco mil congressistas estiveram no evento, no qual discutiram-se os principais assuntos da área socioambiental, com o objetivo de sensibilizar a sociedade para esse importante tema.
Informações: www.ecolatina.com.br

OFERTA DE
MÃO-DE-OBRA

O Estado do Rio de Janeiro está vivendo um boom da construção civil. De acordo com Roberto Karbage Machado, da Michael Page, empresa de reposicionamento de executivos de média e alta gerência, a oferta de mão-de-obra para o setor vai crescer em 200%, principalmente para a área estratégica e de planejamento, como desenvolvimento de projetos e de controle de obra. Esses dados foram apresentados por Machado na palestra Mercado de trabalho do Rio de Janeiro: esvaziando-se ou reciclando-se?, promovida, em outubro, pela Comissão de Recursos Humanos da CCFB–RJ. De acordo com o especialista, muitos profissionais têm a sensação de que as vagas para trabalho estão acabando porque os investimentos no estado, que de 2006 a 2008 devem alcançar R$ 65 bilhões, vão priorizar o interior e não a capital.

CONFERÊNCIA AMBIENTAL

Sustentabilidade empresarial – Em apresentação para a Comissão de Meio Ambiente da CCFB–SP, Fábio Feldman, ex-secretário de Estado do Meio Ambiente, falou sobre a Sustentabilidade Empresarial e o Global Reporting Iniciative no Brasil, atraindo o interesse de associados de vários setores.

Comunicação com ética – Foi o tema apresentado pelo jornalista e apresentador Heródoto Barbeiro para os integrantes da Comissão de Comunicação da CCFB-–SP.

Jantar com o presidente – Realizado no Automóvel Clube de Belo Horizonte, o evento contou com a presença de Jean Philippe Demaël, presidente da CCFB–MG e da Acesita. Entre os convidados, Manoel Bernardes, cônsul honorário da França; Hans Kampik, cônsul honorário da Alemanha; Luiz Aníbal Fernandes, ex-presidente da CCFB–MG; Richard Paul-Garrel, da Magnesita, e Didier Schieber, da Converteam.

Neuroanatomia da bobagem – Em setembro, no auditório do Senac-PR, a CCFB–PR organizou uma palestra, ministrada pelo professor Mario Negrão, com o tema Por que as pessoas reconhecidamente inteligentes cometem equívocos? Cerca de 30 pessoas participaram do evento para saber mais detalhes a respeito do tema.

Propriedade Intelectual – O evento, organizado pela CCFB–SP, reuniu importantes especialistas da área, incluindo palestrantes do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), associações, como a Interfarma, e representantes da indústria, entre eles Roberto Ribeiro, que atua na área de patentes do grupo Sanofi–Aventis, uma das empresas que apoiaram o encontro.

ENTREVISTA
VISÃO ESTRATÉGICA
Diretor-geral mundial da Accor,
Gilles Pélisson
, fala sobre a importância da governança corporativa e os planos de investimento do grupo para a manutenção da liderança no PAÍS

O Brasil é um país com muito po- tencial, além de ser decisivo para a consolidação da Accor na América Latina.” É dessa forma que o diretor-geral mundial da empresa, Gilles Pélisson, justifica os investimentos do grupo para os próximos anos. Por meio das marcas Sofitel, Mercure, Novotel, Ibis e Formule 1, a Accor vai inaugurar 51 hotéis no Brasil, entre 2006 e 2008, somando a lista dos 200 mil quartos que pretende lançar mundialmente até o fim de 2010. Os planos de investimento têm como base as oportunidades do mercado brasileiro. Com uma receita hoteleira crescente no país – 3,4 milhões de euros no primeiro semestre, 8,4% a mais em comparação ao mesmo período de 2005 – a Accor também se encontra na liderança do setor de cartões-convênio, representado pela marca Ticket, que gerou um volume de negócios de R$ 8,1 milhões em 2005.

Há menos de um ano no comando da empresa, Pélisson atribui os bons resultados obtidos – não só no Brasil, mas mundialmente – à estratégia adotada no início de 2006, que tem contribuído para assegurar o destaque da empresa em hotelaria e serviços e a expansão de outras atividades. Fruto da mudança da estrutura de governança corporativa, implementada em janeiro deste ano, essa estratégia resultou na criação de um comitê executivo, responsável por gerir os negócios da empresa, atualmente presente em 140 países.

Para o executivo, o maior desafio é simplificar a organização e reestruturar as prioridades do grupo. Dentro desse cenário, a criação de um único comitê executivo também na América Latina – liderado pelo diretor-geral da Accor Brasil, Firmin António – tem possibilitado maior sinergia entre as unidades de negócios em hotelaria e serviços, reforçando a presença do grupo nesses países, considerados estratégicos por Pélisson. O executivo, que no fim de outubro recebeu o Prêmio Personalidade França–Brasil 2006, concedido pela CCFB (ver boxe abaixo), destacou a prioridade do Brasil entre os países emergentes do BRIC (que inclui ainda a Rússia, a Índia e a China). “Não só pelos mais de 30 anos de atividades no país e o capital humano consolidado, como também pelo seu grande potencial de desenvolvimento”, afirmou durante entrevista concedida à revista França Brasil.

França Brasil – Qual o grande desafio da Accor, que completou 30 anos de atividades no Brasil e ocupa a liderança no setor de hotelaria e serviços?
Gilles Pélisson – Manter essa liderança e continuar se expandindo mundialmente, pois, ao contrário dos concorrentes, estamos posicionados nos cinco continentes. E, para termos sucesso nessa estratégia, é fundamental que a direção, o comitê executivo e todos os que ocupam posições de comando estejam cientes desse desafio e conheçam bem o potencial dos mercados aonde atuamos e os detalhes da nossa operação em cada país. Esse é o primeiro desafio: ter uma visão mundial.

FB – A reestruturação do grupo, por meio da governança corporativa, foi implementada justamente para atender a esse desafio?
GP – Sem dúvida. Agora temos um comitê executivo, no qual seus 13 membros discutem continuamente as operações do grupo mundialmente por meio de videoconferências. A cada seis semanas, esse comitê também se reúne em algum local: já estivemos em São Paulo, Budapeste, Amsterdã e Camboja. Essa sinergia é importante: temos uma grande equipe espalhada pelo mundo, mas que se comunica e busca ter uma interação mundial, o que não é fácil.

FB – Qual foi a grande mudança na governança corporativa da Accor?
GP – Eu sempre digo que é vital que todos, em funções de comando em uma companhia global, tenham a mesma velocidade, quer esteja na sede, no apoio, à frente das operações do grupo, em distintas áreas. Daí a organização desse comitê. No âmbito regional, repetimos essa estrutura, com o comitê executivo para a América Latina, cujo objetivo é o de que haja alguém in loco para entender melhor os desafios, conhecer os problemas e buscar as soluções que se aplicam àquela realidade.

FB – De que forma essa reestruturação atingiu os negócios da companhia?
GP – Além dos setores em que atuamos tradicionalmente, como hotelaria e serviços, estávamos também envolvidos em outras atividades. Por isso, tomamos decisões estruturais para promover e reforçar os setores históricos da trajetória da Accor – o de serviços e o de hotelaria –, e consolidar, enxugar e até mesmo abrir mão de participações em áreas menos estratégicas. Continuamos a estudar formas de simplificar as operações do grupo, visando atingir nossa meta, que é o de ser líder mundial no setor de serviços.

FB – E quais são as metas para o setor de hotelaria?
GP – Ser líder mundial no segmento de hotelaria econômica, com a rede Ibis, e da hotelaria executiva e de nível médio, com as redes Mercure e Novotel. Também queremos ter uma atuação mais forte na hotelaria de alto luxo, com o Sofitel. São diferentes tipos de estratégia, com políticas de marketing específicas.

FB – Quais as previsões de investimentos para os próximos anos?
GP – Só no setor de hotelaria serão 20 bilhões de euros. A Accor responderá diretamente por 2,5 bilhões de euros desse montante e o restante virá de diversos parceiros. No setor de serviços, temos investimentos previstos da ordem de 500 milhões de euros, que deverão ser direcionados principalmente para a nossa expansão internacional, por meio da aquisição de pequenas e médias empresas de serviços.

FB – Dentro dessas previsões, quais são os planos para o Brasil?
GP – A Accor vai inaugurar 19 unidades da marcas Ibis e Formule 1, em 2007, e 22, em 2008. Teremos dois Formule 1 no centro de São Paulo e um no Rio de Janeiro. Novas unidades estão previstas em Campos e Macaé (RJ); Mossoró (RN); Macapá (AP), entre outras. Com a marca de luxo Sofitel, temos inaugurações previstas para breve – um hotel em Florianópolis (SC) e outro no Guarujá (SP). Em relação aos cartões-convênio, temos planos de aumentar o uso do cartão-serviço, como em atividades culturais, por exemplo.

FB – E qual a importância do Brasil na estratégia de negócios da Accor?
GP – A nossa relação com o Brasil sempre foi algo muito especial, pois o início das atividades no país foi decisivo para a nossa consolidação na América Latina. A Accor Brasil é hoje uma empresa da dimensão do país, que apresenta um potencial enorme a ser explorado. Entre os grandes países emergentes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil tem um lugar à parte na nossa estratégia. Ele é um grande exemplo para a América Latina, que responde por 15% a 20% dos resultados globais do grupo.

HOMENAGEADO DO ANO – Em um jantar realizado pela CCFB–RJ, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no fim de outubro, Gilles Pélisson, diretor-geral mundial do grupo Accor, recebeu o Prêmio Personalidade do Ano França–Brasil 2006, depois de ter sido escolhido pelos associados da Câmara. A cerimônia de entrega do prêmio contou com a presença de 350 convidados, entre empresários, políticos e personalidades, como Firmin António, diretor-geral da Accor para a América Latina; Hugues Goisbault, cônsul da França e Philip Faure, subsecretário de Relações Exteriores da França. Durante seu discurso, Pélisson agradeceu ao presidente da CCFB a homenagem e falou sobre a história da Accor e sua vinda ao Brasil. Destacou, ainda, que hoje são cinco milhões de usuários/dia dos serviços do grupo no país, com 60 mil empresas participantes do programa de Tickets e mais de 280 estabelecimentos afiliados. O grupo tem 130 hotéis no Brasil, gera mais de 30 mil empregos e oferece 75 mil estágios. O prêmio, que está em sua sexta edição, já foi concedido ao embaixador Marcos Azambuja; ao cirurgião-plástico Ivo Pitanguy; ao presidente da Renault, Carlos Ghosn; ao presidente da Embraer, Maurício Botelho, e ao francês Guy Dollé, presidente da Arcelor.
Beatriz Cardoso
    
    




   
   
     
     
          
 Nº 279
Nov/Dez 2006
 
 
  Tour de France    
  Matéria de Capa    
  Entrevista    
  Negócios    
 Gastronomia    
    
  Editorial  
  Notas
   
 Câmara Destaque    
  Ações do Bem    
  Artigo Attilio Gorini  
  Caderno Francês  
  Registro de Viagem  
     
   
      
   
   
     
     
     
     
     
     
     
   
   
   
     
       
       
       
       
       
 
   
 
COM CHAVE DE OURO
Em única apresentação no Brasil, o grupo Octuour de France – formado por renomados músicos franceses – marcou o evento de fim de ano da CCFB–SP, promovido em parceria com o Consulado Francês em São Paulo e a Associação Tucca, que assiste crianças e adolescentes com câncer. Sucesso mundial, o Octuour de France executou, no Auditório do Ibirapuera, no fim de novembro, a trilha sonora de um filme mudo dos anos 1920 composta pelo maestro Antonio Copolla.
   
       
       
       
       
       
       
     
     
       
       
       
       
       
       
     
 
   
       
       
       
       
       
       
       
       
     
     
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
 
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