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| No. 293 agosto/setembro 2009 |
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| CÂMARA EM DESTAQUE |
Entrevista CARLOS GHOSN |
MODELO EM TRANSFORMAÇÃO |
YANN WALTER, do Rio de Janeiro | |
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O Brasil não é mais o país do futuro, mas do presente." Foi com essa frase, pronunciada há cerca de 50 anos pelo ex-presidente francês Charles de Gaulle, que Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault-Nissan, iniciou sua palestra durante almoço organizado pela Câmara de Comércio França-Brasil, no Rio de Janeiro. "O potencial econômico do país é reconhecido mundialmente", destacou o executivo, apontando para as imensas possibilidades de crescimento do setor brasileiro. Durante o evento, ele falou sobre o atual período de recessão econômica mundial e como ele vem impactando no mercado automobilístico. "O maior desafio, no momento, é aproveitar a crise para planejar o futuro. As empresas que não se adaptarem às novas exigências de mercado perderão espaço." Para o executivo, apesar das dificuldades, os períodos de crise também têm seu lado positivo. "Eles abrem oportunidades e favorecem o surgimento de novos processos, de maneiras inovadoras de pensar." Na entrevista abaixo, Ghosn também fala sobre o futuro das relações comerciais entre Brasil e França, a respeito da fabricação de veículos com tecnologias menos poluentes, entre outros temas.
Revista França Brasil - Recentemente o senhor foi nomeado presidente da Câmara de Comércio França-Brasil. Qual a sua opinião sobre esta iniciativa inédita? Carlos Ghosn - É ao mesmo tempo uma honra e um prazer para mim, que sou muito ligado aos dois países. Hoje, a constatação é clara: várias grandes empresas francesas estão instaladas ou mantêm importantes relações comerciais no Brasil. Em contrapartida, existem poucas pequenas e médias presentes em território nacional, e as companhias brasileiras estão praticamente ausentes da França. Portanto, vamos nos dedicar a identificar concretamente quais os obstáculos existentes. A partir desses dados específicos, poderemos organizar reuniões e ações para promover o comércio entre os dois países.
FB - Na opinião do senhor, qual é o futuro das relações comerciais entre o Brasil e a França nos próximos anos? CG - 2009 é o Ano da França no Brasil, e esse evento trará novas perspectivas para o comércio bilateral entre esses países. Nestes últimos anos, muitos progressos foram feitos para facilitar as relações entre o Mercosul e a União Europeia. Estou, portanto, confiante no fortalecimento destes laços entre Brasil e França, e a Câmara de Comércio França-Brasil deve contribuir para este desenvolvimento.
FB - A indústria automotiva foi um dos setores mais afetados pela atual crise econômica mundial. Que efeito esse cenário teve sobre o desempenho da Renault e qual é a estratégia da empresa para atravessar esse momento? Existem previsões otimistas para o exercício 2009-2010? CG - A reviravolta dos mercados foi efetivamente brutal, não somente na Europa, que pode recuar 25% em relação a 2007, se a tendência atual se mantiver, mas também em países emergentes como a Rússia, onde o mercado recuou 55%. Não temos previsão de sair da crise antes de 2011. Para atravessá-la, o grupo Renault-Nissan dispõe de três elementos: a Aliança, que traz ampla cobertura geográfica e uma reserva de sinergias a serem exploradas; um plano de ações claras para atravessar a crise; e produtos de qualidade.
FB - O governo dos Estados Unidos aprovou um grande plano de incentivo para a produção de automóveis "verdes". Pode-se considerar que a preservação do meio ambiente se tornou uma preocupação da indústria automotiva nos últimos anos? CG - A Renault não esperou o movimento "verde", ocorrido nestes últimos anos, para posicionar-se nesse contexto. Lançamos, há dois anos, a assinatura eco2* que comprova o compromisso da empresa com o ciclo de vida do produto. Consideramos que no contexto atual, particularmente difícil, a mobilidade sustentável não é opção, mas uma grande oportunidade.
FB - A Nissan deve lançar seu primeiro automóvel elétrico nos EUA em 2010. E na América Latina? O senhor acredita que esse modelo represente o futuro do setor? Qual a previsão de o grupo fabricá-lo em grande escala? CG - Atualmente, trabalhamos em vários projetos referentes à fabricação de baterias na Europa, mas não posso revelar detalhes, já que negociações sobre auxílios financeiros estão em curso com vários governos. Os veículos com emissão zero, entre eles os elétricos, certamente contribuirão para o futuro da indústria automotiva. A necessidade de fabricar carros ecológicos é, e será cada vez mais, urgente no conjunto dos mercados. Um modelo híbrido permite a redução das emissões de dióxido de carbono de 20% a 30%, o que representa um progresso. Mas um veículo com emissão zero, como o elétrico, é muito mais eficiente, já que é perfeitamente neutro para o meio ambiente. Trata-se de uma verdadeira ruptura tecnológica. A Renault-Nissan lançará seu primeiro veículo elétrico em 2010, nos EUA e no Japão. A produção em massa terá início em 2012 em diferentes países.
FB - Quais são os mercados mais promissores para a Renault-Nissan atualmente? A montadora japonesa inaugurou, recentemente, sua primeira fábrica na Rússia. CG - Todos os mercados são importantes, e isso é ainda mais verdadeiro em tempos de recessão mundial. No entanto, quero destacar que a Renault-Nissan tem um interesse particular nos potenciais de crescimento existentes na maioria dos mercados emergentes, como Brasil, Rússia, Oriente Médio, China e Índia. Na Rússia, a nova planta de produção da Nissan, em São Petersburgo, abriu suas portas em junho, e a fábrica Nissan de Chennai, na Índia, iniciará a produção de um novo modelo mundial em 2010. Os preparativos referentes à unidade marroquina da Renault, localizada em Tanger estão dentro dos prazos de nosso calendário. Consideramos que, daqui a dois anos, os países emergentes representarão nossa principal fonte de crescimento e de lucros. Evidentemente, sempre teremos necessidade dos principais mercados mundiais - Japão, Estados Unidos e Europa - que permanecem incontornáveis para se assegurar uma presença mundial.
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DIÁLOGO AMPLIADO A afinidade do convidado de honra do último almoço convival da Câmara de Comércio França-Brasil, realizado em julho, com a cultura francesa vem de longa data. Ex-aluno de colégio francês, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, como mencionou Louis Bazire, presidente da CCFB-SP, na abertura do evento, tem uma missão bastante desafiadora. "Estar à frente de uma das maiores cidades do mundo nos faz pensar, como administradores, no quanto é complexa sua tarefa." Diante desse contexto, a parceria entre os setores público e privado, como mencionou Bazire, pode trazer importantes contribuições em diferentes áreas. |
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Em sua apresentação, Kassab falou sobre as prioridades de seu govern as áreas de saúde e educação. Para exemplificar uma das dificuldades enfrentadas pela prefeitura, comparou o orçamento da capital com o de Nova York, que, além de ser superior, já possui os sistemas de transporte, educação e saúde perfeitamente estruturados. E, como não poderia deixar de ser, a parceria entre França e Brasil, particularmente com São Paulo, também foi destacada. Para citar apenas um exemplo, ele relembrou a construção do Centro Cultural vinculado ao Instituto Île-de-France, no bairro de Cidade Tiradentes, na Zona Leste. "Essa integração nos dá a oportunidade de ter um equipamento cultural muito importante em uma das regiões mais carentes da cidade de São Paulo", afirmou o prefeito. |
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ENCONTRO FRANCO-BRASILEIRO A Ubifrance, a Comissão de Recursos Humanos e Formação Profissional da CCFB-RJ e a FIRJAN realizaram no mês de julho, no âmbito do Ano da França no Brasil, o I Encontro franco-brasileiro de recursos humanos e formação profissional, com o apoio da Câmara de Comércio e Indústria de Paris (CCIP), da Federação Francesa de Formação Profissional (FFP), do GARF e da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Durante o evento, debateu-se as dificuldades no processo de recrutamento seletivo e na formação profissional e as possibilidades de mudança desse cenário. O seminário proporcionou a troca de experiências entre os participantes e os centros de formação franceses interessados no mercado brasileiro. |
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INCENTIVO À CULTURA Juntamente com o Ponteio Lar Shopping e a CCFB-MG, a Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Universidade FUMEC promoveu, no dia 17 de junho, coquetel de abertura da mostra O Ponteio está à francesa Voilà! Que venha a França!!. Organizada pela professora Rosângela Mesquita, com seus alunos de Design de Interiores, a exposição ficou em cartaz até o final de junho e atraiu centenas de visitantes. Estiveram presentes na abertura do evento o cônsul honorário da França em Minas Gerais, Manoel Bernardes; a diretoria da CCFB-MG; o corpo docente do Curso de Design da FUMEC, além de alunos e representantes da diretora da Fundação. |
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PELA INCLUSÃO SOCIAL Nem mesmo a manhã fria e nublada do último dia 12 de julho fez com que os cerca de 1.500 participantes desistissem de participar da 1ª Caminhada e corrida pela inclusão social. O evento, que contou com o patrocínio da Renault, Rhodia, Société Générale, Carrefour e Santa Constancia, mobilizou associados e não associados, e teve toda a renda obtida com as inscrições destinada às ONGs Casa do Zezinho (SP), Fundação gol de letra (RJ), Projeto arrastão (SP), Associação borda viva (PR), Projeto a cabana (MG) e Solidariedade França Brasil-SFB (RJ). Além do aspecto social, a expectativa dos organizadores era destacar a importância da prática de atividades físicas, como ressaltou François Dossa, presidente da CCFB. "A responsabilidade social sempre esteve presente na filosofia da Câmara, desdobrando-se por meio de uma série de ações como o Prêmio LIF e o apoio a projetos como a Casa do Zezinho. A busca de melhor qualidade está totalmente ligada à sustentabilidade, e acreditamos que eventos como o de hoje contribuem para estimular as pessoas a terem uma vida mais saudável." | | |
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