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"Não pretendemos que as coisas mudem se fazemos sempre o mesmo. A criatividade nasce na angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias", declarou certa vez o cientista alemão Albert Einstein, autor da teoria da relatividade. Cinquenta e quatro anos após sua morte, nenhuma frase parece tão atual para o cenário de 2009, declarado como o Ano Europeu da Criatividade e da Inovação por iniciativa da Comissão Europeia, como forma de responder aos desafios sociais e econômicos com os quais se deparam países do mundo todo.
Maximiliano Carlomagno, professor de graduação e MBA em estratégia no Instituto Brasileiro de Gestão de Negócios (Ibgen) e sócio-fundador da Innoscience Consultoria, da área de gestão da inovação, reforça a importância de se romper com modelos existentes para gerar resultados significativos. "Em situações de crise, é necessário que as empresas identifiquem sua situação competitiva.
Se estão fragilizadas, é recomendável que busquem inovações que mudem o formato ao negócio", afirma o especialista. "Caso estejam em uma posição consolidada, essa é a melhor circunstância para ampliar seus domínios", afirma Carlomagno.
Uma medida prudente nesses momentos, de acordo com Gustavo Zevallos, sócio da consultoria Monitor Group, é avaliar o portfólio de projetos da companhia, para priorizar investimentos e evitar o desperdício de recursos em ações com pouco potencial de resultados. "Identificar mudanças de hábitos dos consumidores e desenvolver maneiras de atender suas novas necessidades surgidas com a crise também é importante."
Na opinião do executivo, um dos empecilhos para que o Brasil avance em termos de inovação é o nível de desenvolvimento das parcerias entre universidades e iniciativa privada, que, "com algumas importantes exceções, ainda é muito limitado quando comparado com o que ocorre em outros países como, por exemplo, os Estados Unidos". Entre as principais barreiras, segundo ele, estão as taxas de juros praticadas no país e a limitada disponibilidade de capital de risco. Para Carlomagno, do Ibgen, o problema é outro. "As companhias investem em inovação de forma esporádica e sem um gerenciamento adequado", explica.
"Outra questão é que persiste no Brasil a ideia de copiar as melhores práticas, quando, na realidade, cada empresa precisa entender sua história, o setor em que atua, para desenhar ações que acelerem um ambiente de criatividade", observa o sócio da Innoscience. Para o consultor Clemente Nóbrega, uma gestão eficaz nesse campo precisa ser muito bem fundamentada, tangível, com planta, projeto e protótipo. "Algo mais para engenharia do que para intuição", enfatiza.
Momentos de turbulências na economia não costumam alterar a política de inovação da Rhodia, sempre baseada em uma visão de médio e de longo prazos. No Brasil, por exemplo, a empresa possui equipes e centros de pesquisa dedicados aos mercados latinoamericanos, que, além de desenvolverem ações locais, participam de projetos globais. "Investimos no Brasil cerca de R$ 30 milhões por ano em P&D e mantemos aproximadamente 120 pesquisadores", conta Richard Macret, diretor de P&D para a América Latina. O centro de Paulínia, no interior paulista, em funcionamento desde os anos 1970, é um dos cinco polos de pesquisa mundial da Rhodia.
Os resultados de tal política são surpreendentes. Somente no último congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), a empresa francesa apresentou algumas soluções. Uma delas foi o emana: um fio de poliamida 66, que, ao absorver as radiações infravermelhas emitidas pelo corpo humano, as devolve em um comprimento de onda capaz de melhorar a micro circulação na camada próxima à pele. "Essa melhoria reduz os teores de ácido lático e aumenta a elasticidade da pele", afirma Macret. Outro produto de destaque no congresso da Anpei foi o novo polímero hidrofílico, que, aplicado em superfícies cerâmicas ou metálicas, possibilita uma lavagem mais eficiente, com menor quantidade de água. Já os novos solventes de baixo impacto ambiental da Rhodia, apresentados durante o evento, constituem uma alternativa interessante para o mercado de agrotóxicos. Isso porque, utilizados na dissolução do princípio ativo dos defensivos agrícolas em substituição aos solventes comuns, reduzem os efeitos negativos do produto na pulverização de plantações.Para Macret, um dos grandes desafios é o de selecionar sempre as melhores ideias como diferenciais da marca. "Por isso, na Rhodia, a busca por soluções inovadoras não está limitada ao setor de P&D, mas envolve a empresa como um todo".
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 Nanotecnologia; laboratório da Essilor (RJ)
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Gigante do ramo de cosméticos, a L´Oréal, que em 2009 comemora os 100 anos de fundação, aplica 3% do faturamento anual do grupo na área de pesquisa científica. A empresa, que marcou sua entrada no Brasil em 1939 com produtos para coloração dos cabelos, investiu, somente em 2007, 560 milhões de euros em P&D. Com laboratórios no Japão, nos Estados Unidos, na França, na China e na Alemanha, a companhia decidiu, ano passado, pela criação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a América Latina. E o local escolhido foi o Rio de Janeiro. |
Uma distinção da L´Oréal é a capacidade de realizar todos os estágios de P&D. Na pesquisa avançada - responsável pela criação de novas moléculas, das quais dependem os novos produtos -, a companhia concentra-se em inovações voltadas para mecanismos que controlam, por exemplo, a pigmentação e as deficiências capilares. Já a pesquisa aplicada - que tem como bases as moléculas sintéticas - capacita a empresa para o médio prazo, aperfeiçoando cosméticos e estudando novos conceitos.
E, finalmente, o estágio de desenvolvimento cumpre metas de curto prazo, com atuação em parceria com a equipe de marketing. O resultado de todo esse empenho é que, anualmente, os laboratórios da empresa registram mais de 500 patentes e desenvolvem cerca de quatro mil novas fórmulas.
Investir continuamente em inovação tecnológica também faz parte da estratégia da Essilor, com centros de pesquisa localizados nos Estados Unidos, na França, no Japão e em Cingapura, além de três unidades em joint venture. Desde as revolucionárias lentes multifocais Varilux, criadas há 50 anos, a empresa dedica-se a desenvolver soluções mais adequadas às necessidades dos usuários, como as lentes antirreflexo, mais transparentes e resistentes a arranhões. Um passo importante para a evolução dos produtos da empresa, de acordo com Charles-Eric Poussin, diretor de marketing da Essilor Brasil, foi a adoção da nanotecnologia, quando essa nomenclatura ainda nem era divulgada no mercado.
"A camada resistente a arranhões das lentes modernas é formada por nanopartículas de óxido de zircone, titânio ou de silício, totalmente imperceptíveis", observa o executivo. Essa tecnologia, que tem como princípio básico a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos, possibilitou, por exemplo, o desenvolvimento das lentes anti-reflexo Crizal, constituídas por camadas extremamente finas. No final de 2008, a Essilor lançou no Brasil a multifocal Varilux Ipseo New Edition, que se distingue por ser produzida por processo digital e de modo personalizado.
"Até o final do ano, lançaremos no Brasil as lentes Crizal Forte, com destacada eficiência em antirreflexo, e as multifocais Varilux Physio 360º, confeccionadas com o uso das tecnologias Wavefront Management System e Point by Point Twinning", conta Poussin. Ele afirma que as inovações também levam em conta testes com usuários, por meio de um sistema contínuo chamado de ciclo dióptrico. "Para alcançar esses avanços, a Essilor International investe anualmente cerca de 5% do seu faturamento mundial - que foi de 3,07 bilhões de euros em 2008 - em pesquisa e desenvolvimento", declara o executivo.
A meta da empresa para 2009 é destinar R$ 45 milhões para ampliar as atividades no Brasil e constituir uma joint venture com laboratórios ópticos. "Cerca de R$ 10 milhões serão investidos em novos centros de antirreflexo, enquanto aproximadamente R$ 15 milhões seguirão para a compra e instalação de equipamentos e sistemas de última geração nesses locais".
Aplicações clínicas - Na área de saúde, a bioMérieux - especializada em diagnóstico in vitro para aplicações clínicas e industriais -, por seu lado, investe em tecnologia para oferecer aos seus clientes (laboratórios e indústrias) sistemas e produtos inovadores que possibilitem a otimização do fluxo de trabalho, assim como a liberação de resultados de controle microbiológico em menor tempo. "O equipamento denominado Tempo, por exemplo, é a primeira solução automatizada de indicadores de qualidade microbiológica para alimentos", conta o diretor industrial Thierry Jourdet. A bioMériuex disponibiliza ainda soluções para o controle de infecções hospitalares, testes de biologia molecular para confirmação de atividade oncogênica do vírus HPV, entre outras. "Com essas tecnologias, enquanto nossos clientes ganham competitividade, a comunidade se beneficia com mais segurança", avalia Patrice Ancillon, diretor geral da bioMérieux. Para oferecer produtos adaptados ao mercado local, para controle de doenças tropicais infecciosas, a filial brasileira inaugurou, em fevereiro, um moderno laboratório de P&D no Rio de Janeir o Christophe Mérieux. O objetivo, conforme afirma Ancillon, é pesquisar e desenvolver soluções no diagnóstico dessas doenças, tendo como prioridade a dengue e Chagas.
Atender às demandas tecnológicas que impulsionam uma gigante da área de energia como a Petrobras não é tarefa das mais simples. Para isso, foi criado o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), que conta com 30 unidades-piloto e 137 laboratórios empenhados na busca por soluções inovadoras em processos e produtos. Entre os projetos desenvolvidos pelo Cenpes, que colocam o Brasil na condição de detentor de tecnologia de ponta no setor, estão as plataformas de produção para águas profundas; os sistemas submarinos de produção; os projetos para construção, ampliação e modernização de refinarias; os robôs e veículos teleoperados para trabalhos submarinos; sistemas de ancoragem; e várias outras inovações.
Atualmente, a estratégia de desenvolvimento tecnológico da Petrobras aponta para algumas direções. Uma delas é aumentar a expertise para a produção em águas profundas e ultraprofundas, já que, com a descoberta de novas reservas, como o campo de Tupi, na Bacia de Santos, o desafio é produzir petróleo e gás natural em áreas localizadas abaixo da camada do pré-sal. Visando um salto qualitativo no parque tecnológico nacional, no setor de energia, a companhia investe ainda em instituições que atuam em redes temáticas voltadas para assuntos de interesse da companhia. Nas novas instalações do Laboratório de Corrosão e Proteção (LCP), sob a coordenação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), por exemplo, já foram investidos R$ 11,8 milhões. Voltado para o estudo da corrosão em equipamentos e estruturas metálicas, o LCP está agora equipado para realizar pesquisas que levem ao desenvolvimento de novas tecnologias para o transporte de etanol e biodiesel.
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Carlos Tadeu Fraga, gerente executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras, garante que a estatal está entre as cinco empresas que mais investem em pesquisas e desenvolvimento no mundo, já tendo beneficiado mais de 100 instituições. "Desde 2006, investimos algo em torno de R$ 400 milhões por ano. Até 2011, os investimentos da Petrobras somente no LCP totalizarão cerca de R$ 15,4 milhões." | |
 Linha de produção L´Oréal: Centro de Pesquisa para a América Latina instalado na cidade do Rio de Janeiro
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Em tempo real - Para atender às corporações que já perceberam a importância de romper com antigos modelos de negócio, a filosofia da Dassault Systèmes, que oferece soluções 3D e de gerenciamento do ciclo de vida do produto - ou PLM, do inglês Product Lifecycle Management - é desenvolver novos mercados e inovar na forma de utilização de seus produtos. "Nossas soluções foram desenvolvidas para facilitar o processo de inovação em empresas de 11 diferentes segmentos. Elas possibilitam reduzir custos, otimizar o tempo em projetos e controlar todos os passos do ciclo de vida de um produto - desde o momento de sua concepção até o descarte", explica Klaus Robert Muller, diretor do Centro de Competência para a América Latina .
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INTERCÂMBIO TECNOLÓGICO Um dos maiores acontecimentos no Brasil voltado para a divulgação e o incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico, a Inovatec - Feira de tecnologia e inovação - chega este ano a sua quinta edição, recebendo a França como país convidado. A finalidade é compartilhar conhecimento entre os dois países com base no conceito de tecnologia sem fronteiras, já que a Inovatec, prevista para acontecer no período de 6 a 9 de outubro no Expominas, em Belo Horizonte (MG), sob a coordenação da Minasplan, é um dos eventos oficiais da programação do Ano da França no Brasil. Para favorecer o intercâmbio entre centros de pesquisa e indústria; estimular a troca de experiência entre instituições de pesquisa; possibilitar o encontro entre pesquisadores e fontes financiadoras; renovar conceitos e ampliar o debate sobre o poder das novas tecnologias como ferramentas de inserção social, a Inovatec destinará mil m² de suas ilhas centrais - de uma área total de 3 mil m² - para a apresentação de empresas francesas das áreas de saúde, telecomunicações, agroindústria, informática, energia, indústria aeronáutica e outros segmentos. Informações: www.inovatecbrasil.com.br |
Empresas das áreas automotiva, aeroespacial e náutica, de energia, de arquitetura e construção, de equipamentos industriais e de bens de consumo, estão entre as atendidas pela Dassault, que não produz no Brasil, mas atua na venda e no suporte local de seus produtos. Uma das novidades disponibilizadas pela matriz em destaque atualmente são os aplicativos na versão V6, que operam em plataforma web e facilitam o alinhamento entre diferentes departamentos e profissionais envolvidos em um determinado projeto, mesmo que estejam geograficamente distantes. "É possível, por exemplo, que engenheiros na França, na China e no Brasil, trabalhem sobre um mesmo documento e/ou projeto e usufruam os benefícios do alinhamento de discussões e definições em tempo real", afirma Muller.
No Brasil, a Dassault tem parcerias com algumas universidades e instituições de ensino, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que utiliza soluções da empresa para o desenvolvimento de projetos acadêmicos que, posteriormente, podem se tornar reais. Uma iniciativa que, de acordo com Muller, merece destaque, é o projeto Blériot, que consiste em reconstruir o primeiro avião que cruzou o Canal da Mancha. A intenção do Senai é reproduzir com fidelidade máxima o projeto original e fazer com que a réplica voe. "A utilização de soluções da Dassault possibilita entender, por exemplo, quais foram os princípios físicos utilizados no modelo original."
Antes de decidir pela plataforma mais adequada, porém, definir um rumo para promover a inovação, de modo a envolver todos os stakeholders, pode depender de uma ajuda especializada, que indique os caminhos de uma gestão eficaz. Um bom começo pode ser a busca por serviços de uma empresa do ramo de consultoria em tecnologia e inovação, como algumas já citadas no início da matéria. O trabalho da Altran, de origem francesa, por exemplo, consiste em apoiar as companhias na identificação de um novo conceito de produto/serviço, análise de viabilidade, P&D e definição do modelo de negócios.
"Além disso, podemos contribuir com a definição da estratégia e a estruturação do gerenciamento da inovação", afirma Patrick Dauga, CEO Americas da Altran. Nesse caso, a consultoria apoia as organizações na definição de políticas, práticas, ferramentas, métodos e processos adequados para um modelo de negócio que se encaixe às características da indústria, do mercado, das competências e da cultura empresarial. "Para Paulo Apsan, diretor responsável pela área de gestão e estratégia da Altran e presidente da Apsan Consultoria - um bom exemplo de empresa comprometida com a inovação é a multinacional norte-americana Apple, que sempre tem saído na frente da concorrência graças à ruptura com conceitos anteriores que ela mesma havia criado. O primeiro passo para uma gestão eficaz, de acordo com o executivo, é se convencer de que a inovação não está restrita às áreas de P&D e engenharia. "O processo deve ser responsabilidade do quadro diretivo da empresa, e cobrado em todos os níveis", afirma.
O executivo explica que também é necessário adotar procedimentos sistemáticos para transformar oportunidades em negócios. "Em bom português: nada de ficar esperando pela inspiração de alguém ou o surgimento de uma ideia genial." De acordo com ele, como produtos e serviços tendem a ser replicados pelos concorrentes e a se tornarem obsoletos cada vez mais rápido, levando à erosão de preços e de margens de lucro das empresas, inovar permanentemente deve ser incorporado ao negócio como uma filosofia.
E, diante desse compromisso, ele lembra que as companhias precisam ter a disciplina e a coragem de assumir o componente "risco". Isso porque, inovar implica investir em algo para o qual, às vezes, não se tem parâmetros. "Uma das características das empresas inovadoras é a coragem de se sujeitar ao erro e aceitá-lo como processo do aprendizado", afirma.
Paulo Renato Macedo Cabral, diretor-presidente do Instituto Inovação, destaca, porém, que atualmente existem metodologias de validação, valoração e desenvolvimento de negócios que diminuem os riscos em projetos de inovação. Criado com o objetivo de aproximar o conhecimento científico tecnológico do mercado, o Instituto atua em conjunto com grandes companhias, como Nestlé, Bunge, Fiat, Natura e Petrobras.
Ponto de partida - Entre os centros de pesquisa, uma articuladora de parcerias universidades/empresas no Brasil é a Agência Inova Unicamp, preparada para oferecer cerca de 500 novas tecnologias de diversas áreas, que podem ser transferidas para a indústria por meio de contato de licenciamento. "Oferecemos apoio para projetos colaborativos, nos quais a empresa financia a pesquisa com o objetivo de promover seu avanço tecnológico", afirma Marcelo Menossi, diretor de propriedade intelectual da Inova Unicamp.
Além disso, a Agência fomenta a criação de empresas por meio de sua incubadora de base tecnológica - a Incamp. "Já negociamos tecnologias com organizações de diferentes portes, em áreas de atuação como alimentos, produtos agrícolas, engenharia, energia, combustíveis e biocombustíveis", conta Menossi. A Shell, a Contech e a Villares Metals são alguns exemplos. "Como as instituições públicas de pesquisa no Brasil detém cerca de 70% do pessoal que trabalha com P&D, as empresas têm nessas estruturas um ponto de partida muito valioso."
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Para fomentar a pesquisa visando promover inovação tecnológica nas empresas, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por seu lado, oferece duas soluções. Uma delas é o Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), destinado a financiar projetos em universidades ou institutos de pesquisa, desenvolvidos com a cooperação de empresas - que atuam como co-financiadoras. "O PITE está aberto a qualquer tipo de organizações. Atualmente, as maiores parceiras são a Dedini e a Brasken (bionergia), a Sabesp (saneamento) e a Padtec (telecomunicações) ", conta Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor-científico da Fapesp.
Já no que se refere ao Programa de Apoio à Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), a instituição, de acordo com o executivo, contabiliza uma carteira de mais de mil estabelecimentos desse porte. "Para obter o financiamento, que é ´não reembolsável´, os interessados têm de apresentar projetos de pesquisa bem elaborados, com metodologia sólida, liderados por cientistas capacitados associados a elas", observa Cruz. São R$ 125 mil na primeira fase (de análise de viabilidade técnico-científica), em até seis meses; e até 500 mil na segunda (de desenvolvimento da proposta e pesquisa), com duração de até 24 meses. | |
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PROGRAMA DE INCENTIVO Este ano, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) começou a operar um novo programa de incentivo à inovação nas empresas brasileiras. Trata-se do Finep Inova Brasil, que, com orçamento de R$ 1 bilhão, chegou ao mercado para dar suporte à Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do governo federal. Uma das principais metas do programa, que vai operar com taxas fixas e subsidiadas entre 4,25% e 5,25% nos contratos de financiamento, é contribuir para o incremento das atividades de pesquisa e desenvolvimento no país, em empresas de todos os portes. As taxas são diferenciadas conforme as diretrizes da nova política industrial, que dividiu os setores da economia em três eixos: programas mobilizadores em áreas estratégicas; para liderar e expandir a liderança; e os voltados para fortalecer a competitividade. Em todos os contatos realizados pelo Inova Brasil - que substitui o antigo Programa de Incentivo à Inovação nas Empresas Brasileiras (Pró-Inovação) -, a Finep participará em até 90% do valor total do projeto. Cada empresa poderá pleitear financiamento de, no mínimo, R$ 1 milhão, e um máximo de R$ 100 milhões. O prazo para pagar o empréstimo é de até 100 meses, sendo 20 de carência e 80 para amortização. | | |