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No. 295 dezembro 2009/janeiro 2010

NEGÓCIOS

MUITO ALÉM DE VINHO
Nos últimos anos, a França vem se destacando na produção de vodkas premium e super premium - um mercado que no Brasil apresenta crescimento anual de 40% e registra consumo de 4,14 milhões de caixas entre produtos nacionais e importados

FRANÇOISE TERZIAN


 

Apesar de a grande parte dos consumidores associarem a imagem da França à produção de vinhos de qualidade, o país, conhecido pela excelência dos produtos provenientes das regiões da Borgonha e de Bordeaux, também se destaca em outros segmentos, quando o assunto é bebida. Nos últimos anos, os brasileiros vem descobrindo a expertise francesa no mercado de vodkas premium e super premium - um setor que apresenta crescimento anual de 40% e registra consumo de 4 milhões de caixas nacionais e 14 mil importadas/ano. Desenvolvida na região de Cognac, tradicional na produção de destilados de qualidade, a Grey Goose desembarcou no Brasil em 2005 para conquistar mais participação no mercado mundial e marcar sua presença em eventos exclusivos no país.

Produzida com trigo dourado da região de La Beuce, famosa pela alta qualidade de seus cereais, e água das montanhas do Maciço Central (França), a Grey Goose é filtrada nas rochas calcárias de Champagne, antes de chegar às mãos dos consumidores. "Para manter a qualidade do produto, não seria possível produzi-lo em outro local senão a França", afirma Carlos Correa, diretor de marketing do Grupo Bacardi Martini. Todo processo é dirigido pelo Maître de Chai (mestre de adega) da Grey Goose, François Thibault, especializado na tradição das bebidas da região de Cognac. É ele que traduz a expertise dos mestres para criar e acompanhar a produção de uma vodka super premium.

Esse cuidado garante à bebida um aroma encorpado e um paladar mais suave do que nas vodkas comuns, com nuances amendoadas e amanteigadas. Isso explica o título de World's Best Tasting Vodka (Vodka de Melhor Sabor do Mundo) pelo World's Spirits Championship. A Grey Goose ainda foi eleita, pela terceira vez consecutiva, a vodka premium número um do mundo pelo Luxury Brand Status Index Survey. Desde o desembarque no país, as vendas dos produtos da marca vem crescendo cerca de 50% ao ano - uma grande expansão se comparada ao PIB do país que, neste ano, deve apresentar números 1% maiores do que os de 2008. Para Correa, esse crescimento das vendas é resultado da sofisticação do paladar dos brasileiros, que estão aprendendo que há diferenças significativas entre os diversos tipos e marcas de vodka. "Este é um processo que vem ocorrendo a passos largos. A cada dia, mais pessoas experimentam a Grey Goose, se apaixonam pelo produto, reconhecem sua qualidade e entendem seu diferencial", garante. No país, os maiores consumidores da marca concentram-se na classe A e estão localizados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde os produtos são encontrados em bares, casas noturnas, restaurantes, delicatessens e nas principais lojas do Pão de Açúcar. "Por ter seu paladar aveludado, a Grey Goose pode ser degustada pura, mas também em coquetéis, como o Cosmopolitan, e variações de Martini", explica.

Para incentivar esse tipo de bebida, comum na Europa e nos Estados Unidos, a marca realizou no dia 26 de outubro, em São Paulo, a final do Vive La Révolution Campeonato de Coquetelaria Premium, que mobilizou bares, restaurantes e casas noturnas de várias cidades do Brasil. Foram 124 inscrições de bartenders de hotéis como o Fasano (SP e RJ), o Hyatt (Florianópolis) e o Hilton (Salvador). A Grey Goose também é comercializada em outras versões, como a La Poire, produzida com sabor de pêras francesas, e a Petit, lançada este ano, no país, em embalagens de 200 ml.

Degustação às cegas - Contudo, a presença francesa nesse concorrido setor não se restringe à Grey Goose. A vodka premium Belvedere, do grupo de luxo francês LVMH, é outro bom exemplo. Elaborada com água cristalina de poços artesianos próprios, com 41 e 52 metros de profundidade e filtros, que removem substâncias tais como o manganês, o cloro, metais e partículas maiores, passa por oito controles de qualidade até chegar ao produto final. Sua produção segue uma receita artesanal de mais de 600 anos. Duplamente filtrada em carvão, a Belvedere Pure possui 40% de teor alcoólico, notas de baunilha e textura superior. Esses detalhes podem explicar a premiação da bebida em oito categorias do Vodka Masters, evento promovido anualmente pelo jornal de negócios The Spirits Business.

As escolhas das melhores marcas são feitas por meio de uma série de degustações às cegas, e todas as vodkas do portfólio da Belvedere consagraram-se medalhistas, incluindo as novas Intense, Belvedere IX e Black Raspberry. No Brasil, a bebida é vendida desde setembro de 2004 e pode ser encontrada em bares e casas noturnas. Nem mesmo o período de instabilidade econômica de 2009 desacelerou a expansão das vendas dos produtos da marca. "Vamos crescer 150% este ano em relação a 2008", afirma Sergio Degese, diretor-geral da Moët Hennessy Brasil. O motivo para resultados tão positivos, na opinião do executivo, é o gosto dos brasileiros pela vodka. "Agora, os consumidores nacionais estão aprendendo a diferenciar os tipos da bebida, o que vem favorecendo as marcas importadas, incluindo as de origem francesa", explica.

Para ser servida em noites de festas, a Belvedere criou a edição limitada IX. Seu ponto alto foi a conquista de um sabor inédito, obtido com o blend de nove ingredientes - guaraná, gengibre, ginseng, açaí, eucalipto, amêndoa doce, jasmim, cereja negra e folha de canela, que são macerados com a vodka em destilarias da região de Cognac, na França. A sugestão é consumir a bebida pura e muito gelada, com uma rodela de laranja lima, para exaltar os toques cítricos e picantes da vodka, ou em drinks longos. "Com a introdução da Belvedere IX, nós criamos um novo estilo de produto, com o sabor especialmente desenvolvido para capturar a excitação da noite", diz Charles Gibb, presidente da Millennium, da divisão de Vodka e Rum da Moët Hennessy.

A criação da embalagem caminha dentro desse mesmo conceito e foi customizada pelo grafiteiro sueco e empreendedor da cena noturna mundial, André Saraiva, que trabalhou a garrafa de vidro negro. A escolha de Saraiva foi uma boa estratégia, uma vez que ele é um dos sócios dos clubs Le Baron, em Paris e Tókio ao lado do designer Mark Newton, além do Hôtel Amour, junto com Thierry Costes, do renomado Hôtel Costes e da loja BlackBlock de arte abstrata, instalada no Palais de Tokyo, na capital francesa. Após ter sido lançada nos Estados Unidos e na Europa em meados de 2009, o produto chega ao Brasil neste mês, em quantidade limitada e venda exclusiva em casas noturnas, bares parceiros da marca e delicatessens do país.

Outra concorrente de peso nesse disputado mercado é a Diageo, maior companhia de bebidas alcoólicas do mundo e responsável pela marca Cîroc, bebida manufaturada na região de Cognac, na França. Seu diferencial é o fato de ser a primeira do mundo feita com uvas e destilada cinco vezes, diferentemente das produzidas a partir do milho, do arroz, do trigo e de batatas. Lançado em 2006, o produto desembarcou no Brasil em 2005 - considerado o maior consumidor da vodca do mundo, depois dos Estados Unidos e da Índia. "Em 2009, tivemos um faturamento duas vezes maior do que o apresentado em 2008. A Cîroc vive um momento muito positivo em terras brasileiras", garante Bianca Benoliel, gerente de reservas da Diageo no país.

No Brasil, a marca é vendida em casas noturnas e lojas varejistas de luxo, como o Empório Santa Maria, em São Paulo. "Em 2009, as vendas das vodkas francesas devem crescer 30% em relação ao ano passado", afirma André Scartozzoni, gerente comercial da rede. De acordo com ele, os produtos são consumidos pelos brasileiros tanto na versão pura, quanto como base da caipirinha. "Além disso, muitos compram os produtos para presentear", afirma.

 
 
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