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No. 295 dezembro 2009/janeiro 2010

REGISTRO DE VIAGEM

O MELHOR
DA FRANÇA

Nicole Cordery é atriz. Atualmente está em
cartaz no Rio de Janeiro com o espetáculo Strindbergman

Estive na França pela primeira vez em 2006. Nunca tinha viajado para a Europa, mas quando desembarquei em Paris, resolvi ficar. O começo foi difícil. Não falava bem o idioma e precisei me matricular em uma escola de mímica (L´Ecole Internationale de Théâtre Jacques Lecoq). O inverno foi duro, e eu mal tive tempo de ver as belezas da capital francesa - saía cedinho, com a cidade ainda às escuras e, quando voltava, já estava anoitecendo. Somente com a chegada da primavera que a minha história de amor com Paris teve início.

Viver nessa cidade histórica, a mais visitada do mundo, tem seus encantos. A paisagem é sempre bonita e tenho o privilégio de morar perto do rio Sena. Como o teatro é uma de minhas paixões, logo que cheguei, fui assistir a uma peça do Heiner Müller, no Théâtre de L´Odéon. Fiquei emocionada por estar nesse local construído em 1782, que permanece preservado até os dias de hoje. A Comédie Française, no Palais Royal, também é um prédio muito bonito. Quando penso em lugares marcantes, são sempre os teatros que me vêm à mente. O Théâtre des Bouffes du Nord e o Théâtre du Soleil são igualmente maravilhosos.

Adoro ir ao cinema parisiense MK2, com suas poltronas duplas para casais e um ótimo bar aberto até às cinco horas da manhã nos fins de semana. Também não há nada melhor do que saborear o sorvete em forma de flor da Armorino - uma loja tão famosa e procurada que mantém longas filas na porta. Paris é uma cidade feita para caminhadas. Gosto de passear pelo Marais, bairro onde resido atualmente, e pelo Parc Monceau (metrô Monceau), que normalmente não entra nos roteiros turísticos mais óbvios. Outra dica é a rue de Levis, perto do metrô Villiers, que mantém uma feira permanente, limpa, agradável, repleta de legumes, frutas, roupas e flores.

A uma hora de trem da capital francesa, um passeio interessante é Giverny, cidade onde morou Monet. A melhor época para conhecê-la é a primavera, quando as tulipas estão no auge da beleza. Fico encantada com o cuidado que o povo francês tem com o seu patrimônio histórico. Os prédios, as esculturas, os chafarizes, os obeliscos, os museus, a arquitetura em geral - tudo está sempre muito bem conservado.  Sentar na Pont des Arts, - a primeira metálica de Paris, - saborear um vinho, observar o pôr do sol e os barcos que deslizam pelo Sena são experiências inesquecíveis.

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