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| No. 295 dezembro 2009/janeiro 2010 |
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OPORTUNIDADES |
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DIAGNÓSTICO DE CRESCIMENTO |
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Sexto mercado de saúde privada e nono consumidor de medicamentos do mundo, Brasil impulsiona os investimentos de empresas francesas e atrai pacientes de outros países, que, em busca de atendimento de qualidade, contribuem para a expansão do setor no país |
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FRANÇOISE TERZIAN
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A partir de dezembro um milhão de doses da vacina contra o vírus da gripe H1N1 desembarcam no Brasil, vindas diretamente da França. Elas fazem parte do acordo firmado entre a Sanofi Pasteur, divisão de vacinas do grupo farmacêutico Sanofi-Aventis, e o Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. A parceria - anunciada durante visita oficial do presidente Nicolas Sarkozy ao país - prevê, segundo a solicitação do Ministério da Saúde, o envio total de 18 milhões de doses, correspondendo a um milhão em versão final e 17 milhões a granel, que serão entregues no primeiro trimestre de 2010.
O acordo inclui ainda a possibilidade de fornecimento adicional de 15 milhões de vacinas, caso a Organização Mundial de Saúde (OMS) exija que a produção usual de vacinas sazonais destinadas aos países do Hemisfério Sul seja substituída pela fabricação específica do produto contra a nova gripe. "Nosso objetivo é produzir e distribuir, no prazo mais curto possível, uma substância que atenda aos critérios de qualidade definidos pelas autoridades de saúde brasileiras", afirma Wayne Pisano, presidente e CEO da Sanofi Pasteur.
O lote a granel virá da fábrica da Sanofi Pasteur, localizada em Val de Rueil, na França. O Instituto Butantan, por sua vez, será responsável pela formulação final, pelo preenchimento, acondicionamento e distribuição do material. Segundo Lucia Bricks, diretora médica da Sanofi Pasteur, os testes foram iniciados em agosto de 2009, com o intuito de avaliar os níveis de estabilidade e segurança do medicamento. "Os resultados revelam uma resposta positiva da imunidade em crianças e adultos, mas ainda é necessário aguardar a aprovação dos órgãos regulatórios", explica.
Essa não é a primeira vez que a Sanofi Pasteur participa de um dos programas de saúde pública do Brasil. Em 1974, 90 milhões de doses de vacinas contra a meningite foram distribuídas em tempo recorde para combater uma epidemia da doença no país. Para inibir o surto de febre amarela, em 2008, quatro milhões de doses foram fornecidas pela empresa, que contabiliza a produção de cerca de 40% das vacinas contra o vírus influenza, distribuídas mundialmente entre 2008 e 2009.
Atuando em um dos setores com maior potencial no Brasil - hoje considerado o sexto maior mercado de saúde privada do mundo - a Sanofi-Aventis, assim como as francesas Servier, bioMérieux, Pierre Fabre, Galderma, Beaufour Ipsen e Boiron, investem nas oportunidades geradas pela área de saúde no país. Se nos últimos cinco anos a receita dos 30 maiores hospitais privados brasileiros praticamente dobrou, situação semelhante ocorreu com a venda de remédios, que registrou um aumento de aproximadamente 80%, e com o faturamento das empresas de planos de saúde, que cresceu 111%.
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Negócios em saúde Movimentando mais de US$ 61 bilhões, o mercado de saúde privada no Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial, liderado por:
Estados Unidos
US$ 1185,8 bilhão China US$ 117,4 bilhão Alemanha US$ 89,3 bilhão Japão US$ 69,2 bilhão França US$ 64,6 bilhão Brasil US$ 61,5 bilhão | |
| Nono maior consumidor de medicamentos do mundo, com previsão de alcançar o sétimo lugar no ranking nos próximos quatro anos, o Brasil mantém uma relação de longa data com a França no segmento, a exemplo da cooperação Pasteur des Tropiques, realizada no início do século passado entre o Instituto Pasteur e os brasileiros Adolfo Lutz, Vital Brasil e Oswaldo Cruz. As trocas de conhecimento e os recursos destinados a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) são apenas alguns dos resultados dessa parceria na atualidade. | |
Entre as empresas francesas, a Sanofi-Aventis registra sua chegada ao país no final da década de 1950, com a inauguração da fábrica de Suzano (SP). Produzindo atualmente mais de 200 milhões de unidades anuais, a planta recebe, desde 2000, recursos superiores a US$ 100 milhões, posicionando a unidade brasileira entre as 10 maiores do grupo no mundo. Para ampliar sua atuação, a empresa adquiriu, em abril, a brasileira Medley, líder no mercado de genéricos no país, por R$ 1,5 bilhão. "Essa é uma oportunidade única de construirmos uma plataforma forte e integrada de crescimento sustentável e rentável no Brasil e na América Latina", explica Heraldo Marchezini, diretor-geral da Sanofi-Aventis Brasil, ao completar que uma das principais metas da companhia é a busca constante pela inovação. "Temos reforçado nossa participação no setor ao apostarmos no desenvolvimento de produtos que atendam às demandas locais", afirma.
No campo de P&D, a unidade brasileira conta com duas plantas dedicadas às pesquisas clínicas, formadas por uma equipe de cerca de 70 funcionários. Desde 2000, foram destinados mais de US$ 40 milhões à área, aplicados em centros de referência brasileiros. Contabilizando quase 90 estudos - voltados ao tratamento de trombose, oncologia, diabetes, sistema cardiovascular, endocrinologia, entre outros -, a Sanofi-Aventis mantém parceria com diversas universidades e apóia projetos, como a Pesquisa de Doenças Tropicais, em conjunto com o Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CpqAM/Fiocruz). "O país hoje participa de um estudo internacional para prevenção da amputação em pacientes com isquemia crônica crítica, além de ser selecionado para atuar em uma pesquisa para o tratamento da artrite reumatóide", acrescenta Marchezini.
Estilo de vida - Considerado o maior mercado mundial de produtos homeopáticos do mundo, a França introduziu a prática no Brasil, com a chegada do médico Benoît Mure, ao Rio de Janeiro, em 1840. Utilizada mundialmente por mais de 400 milhões pessoas e administrada por cerca de 200 mil médicos, a homeopatia hoje conta com investimentos franceses em território brasileiro, representados pelo Group Boiron. Presente no país desde 2005, a empresa, com sede em Lyon, distribui seus medicamentos em mais de 80 países.
"O interesse pelo mercado brasileiro faz parte da estratégia de crescimento da companhia, que conta com cinco fábricas (quatro na França e uma na Bélgica) e uma oferta de 250 medicamentos", diz Ricardo Matos Ferreira, diretor da unidade nacional da Boiron, ao citar dois produtos lançados recentemente: o Oscillococcinum®, indicado à prevenção e ao tratamento da gripe, e o Sédatif PC®, para ansiedade e estresse. "Esse segmento gera uma grande demanda, devido ao ritmo de vida acelerado das grandes cidades", justifica Ferreira. Até 2015, a Boiron pretende oferecer aos brasileiros um portfólio de 15 produtos, prevendo o lançamento de dois medicamentos/ano. "O momento é propício para investimentos. Hoje, existem 10 mil médicos homeopatas atuando no país. As oportunidades aumentam se considerarmos que a prática já está integrada ao Serviço Único de Saúde (SUS)", acrescenta o executivo.
O know-how da França também contribui para o desenvolvimento da medicina diagnóstica no Brasil. Há mais de quatro décadas, a bioMérieux oferece soluções à área de diagnóstico clínico in vitro, específicas para doenças infecciosas, como a septicemia, a tuberculose, a AIDS e hepatites, além de testes para o diagnóstico de câncer, doenças cardiovasculares, testes rápidos e teragnósticos (terapêuticos/diagnósticos). Por ano, 12% das vendas globais - o equivalente a R$ 370 milhões, em 2008 - são revertidas para P&D, atendendo às necessidades de laboratórios de análises clínicas, bancos de sangue, indústrias farmacêuticas, entre outros.
Distribuindo seus produtos desde 1966, a empresa obteve no país, segundo Patrice Ancillon, diretor-geral, um crescimento de 12,8% no primeiro semestre de 2009, em comparação ao mesmo período do ano anterior. "Esse aumento pode ser relacionado à instalação de cerca de 130 novos instrumentos para clientes da área clínica e industrial, estimulando a demanda de reagentes", considera o executivo, ao adiantar que o desempenho positivo tem despertado o interesse da matriz. "O aumento das doenças crônicas, primeira causa de morte no Brasil, e dos índices de patologias infecciosas agudas, particularmente na população mais carente, nos motivam a investir em produtos e sistemas que realizam exames laboratoriais mais rápidos e preventivos", explica Braz Mezzacapa, diretor de marketing e vendas da bioMérieux, ao citar recursos da ordem de 25% ao ano na ampliação da capacidade produtiva.
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Visando se aproximar ainda mais do mercado local, a empresa inaugurou, em fevereiro de 2009, um laboratório de P&D no Rio de Janeiro. Quatro pesquisadores dedicam-se ao desenvolvimento de soluções de diagnóstico para doenças tropicais, como a dengue, a doença de Chagas e a meningite. |
Especializado em biotecnologia, o grupo francês Ipsen que atua no Brasil por meio de parcerias com empresas que operam no segmento de toxina butolínica pretende agora abrir uma filial no país com intuito de comercializar diretamente seus produtos. A empresa - que, em 2008, registrou um faturamento de 1,03 bilhão de euros e está presente em 40 países - considera o mercado brasileiro estratégico, por apresentar um forte potencial de crescimento. Para ampliar sua participação, ela pretende intensificar a vendas não somente de substâncias com fins terapêuticos, com também da marca Dysport, seu carro-chefe na área estética, hoje distribuída no país pela Galderma, que tem como principal concorrente o Botox, da Allergan.
O interesse francês pelo setor de saúde no Brasil também ganhou reforço com a mudança de cenário registrada nos últimos anos. O aumento da expectativa de vida da população, a estabilidade econômica, dentre outros fatores, tem transformado o país em um pólo internacional de saúde. Hoje, quem caminha pelos corredores de um hospital renomado encontra um incontável número de pacientes, o que exige recursos tanto em infraestrutura como em tecnologia.
O hospital Sírio-Libanês (SP), por exemplo, investiu recentemente na ampliação de sua planta elétrica, visando atender ao consumo crescente de energia nos centros cirúrgicos, na UTI e em novas áreas, como a de Onco-Hematologia, enquanto o Albert Einstein elaborou um plano diretor para a expansão física e para remodelação da unidade Morumbi (SP) até 2012. O projeto busca dobrar o tamanho das instalações, que passarão de 86 mil para 229 mil metros quadrados de área; de 489 para 720 leitos e de 28 para 40 salas de cirurgia.
O Hospital do Coração (SP), por sua vez, destinou R$ 25 milhões à construção de um novo edifício. Inaugurado em agosto, o local oferece recursos avançados na área da cardiologia. O Serviço de Arritmias, especializado em marca-passos e diagnóstico à distância, - que atende 1,5 mil pacientes/mês - também conta com novas instalações. Outra novidade é o lançamento do Instituto do Joelho, especializado no tratamento de doenças e lesões traumáticas.
Investimentos também fazem parte da realidade das redes farmacêuticas, que adotaram os conceitos de fusões e aquisições, ampliação e elitização da oferta de produtos, com o objetivo de conquistar novos clientes. Com isso, Drogasil, Onofre e Droga Raia, entre outras, agora expõem em suas prateleiras não apenas medicamentos, mas também cosméticos, muitos deles de marcas francesas, como La Roche Posay e Avène.
É a indústria farmacêutica, aliás, que concentra grande parte das oportunidades do mercado de saúde. Mesmo diante da crise econômica mundial, que reduziu as expectativas de crescimento de 5% para 3,5% em 2009, Celso Ienaga, CEO da Dextron Management Consulting, considera o desempenho do setor satisfatório. "Registramos um crescimento lento, mas mesmo assim significativo", afirma.
Estimativas da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) apontam que o Brasil - que em 2008 movimentou US$ 18 bilhões nesse setor - deverá superar as perspectivas mundiais, atingindo um aumento de até 8%. O executivo avalia com otimismo esse número, principalmente quando comparado à previsão do PIB para 2009. "O setor farmacêutico desempenha um papel primordial no sistema de saúde brasileiro, movimentando anualmente mais de US$ 22 bilhões. Esse valor inclui não só as vendas no varejo, mas também os hospitais e as licitações públicas", acrescenta Michel Durand Mura, consultor e presidente da Muram Assessoria Empresarial, ao explicar que o segmento que mais se destaca é o de genéricos, representando cerca de 15% do valor gerado pelo setor, mas com crescimento superior aos demais.
Entre os desafios, o consultor atribui a localização geográfica dos profissionais e a falta de equipamentos modernos e de medicamentos em diversas áreas. Ao mesmo tempo em que existem centros médicos de excelência, ele lembra que, em outros municípios, é difícil encontrar algum tipo de assistência. Essa é uma das razões que tem motivado empresas, como a GE e Phillips, a investirem ainda mais no mercado de equipamentos hospitalares - que correspondeu a R$ 7 bilhões, em 2008 - com a instalação de unidades de produção no país. "Como o Brasil cresce de forma acelerada na área de medicina preventiva, as indústrias especializadas apostam em novas oportunidades", diz Ienaga.
Além de companhias estrangeiras, a evolução do setor no Brasil tem atraído um número significativo de pacientes do exterior, aquecendo outro segment o turismo de saúde. Empresas de consultoria como Deloitte e McKinsey indicam que, até 2017, mais de 15 milhões de pessoas buscarão diagnóstico ou tratamento de outros continentes. Hoje, esse número corresponde a cinco milhões.
Oferecendo qualidade em serviços e custo quase 10 vezes inferior aos praticados nos Estados Unidos e na Europa, o país registra a cada ano um índice maior de pacientes de outros países. Dos 1,3 mil atendimentos a estrangeiros, realizados em 2008, pelo Sírio-Libanês, 301 eram de nacionalidade francesa. Com intuito de prestar um serviço diferenciado, o hospital conta com a presença de um concierge, responsável por coordenar admissões, internações hospitalares e processos de alta; auxiliar a comunicação entre o paciente e o hospital; organizar viagens, entre outras solicitações.
Deise Almeida, superintendente comercial e de marketing do Hospital Sírio-Libanês, conta que, em 2007, foi desenvolvida uma política de valores específica a esses pacientes. "Naquela época, este público representava 0,5% da nossa receita geral. Hoje, a porcentagem corresponde a 5% da receita líquida", justifica. Um dos recursos para atender a todos os padrões de qualidade em atendimento foi a obtenção da acreditação internacional emitida pela Joint Commission International - entidade acreditadora dos Estados Unidos -, no final de 2007. "Um montante de R$ 1,6 milhão também foi destinado à capacitação de funcionários, a fim de que obtivessem a fluência no idioma inglês", acrescenta Deise.
"Em 2008, atendemos a 3.658 pacientes estrangeiros, número que crescerá entre 20% e 30% em 2009", calcula Cristiane Benvenuto Andrade, gerente de Mercado Internacional do Albert Einstein, ao informar que o setor de atendimento internacional da instituição passa por um processo de ampliação. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o primeiro passo nesse sentido foi dado em 2008, por meio de uma parceria com dois hospitais de língua alemã na América do Sul (Buenos Aires, na Argentina e Santiago, no Chile), correspondendo a um cadastro único nos três locais. "A etapa seguinte foi adotar uma estratégia de internacionalização. As unidades de internação, os guichês de atendimento e demais ambientes do hospital serão sinalizados em inglês e português. Também contrataremos profissionais especializados em relações internacionais", conta Luis Gustavo Garavelli, coordenador de novos negócios do Oswaldo Cruz. Com isso, a meta, até o final de 2010, é ter todos os funcionários fluentes no idioma inglês e registrar um índice de 10% do total de pacientes de outras nacionalidades. | |
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