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| No. 295 dezembro 2009/janeiro 2010 |
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MATÉRIA DE CAPA |
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REFLEXÕES PARA 2010 Mesmo diante da crise que afetou mercados em todo o mundo, o Brasil obteve um desempenho considerado acima da média registrada em outros países em 2009. Projeções positivas e oportunidades de negócios, em diversos setores, renovam as perspectivas de empresas francesas e reforçam seus planos de investimento em terras brasileiras, durante o próximo ano
PAULA MONTEIRO
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Há exatamente um ano, a economia mundial sofria os impactos de uma turbulência jamais vista nas últimas oito décadas. Sob um clima de apreensão generalizado, especialistas anunciavam que a recuperação não aconteceria tão cedo. Especificamente no Brasil, a queda do PIB, a falta de crédito e a redução nas vendas e na produção caracterizaram os primeiros meses de 2009. Diante desse cenário, a retomada parecia distante. No entanto, apoiado, inicialmente, em pacotes do governo e na atuação da iniciativa privada, o quadro começou a se alterar de forma positiva no decorrer do segundo semestre.
A rápida recuperação econômica do país, segundo dados da LCA Consultores, contribuiu para que o investimento estrangeiro - dentre eles o francês - em ações e renda fixa alcançasse os US$ 23 bilhões, entre janeiro e setembro de 2009, um aumento considerável se comparado aos US$ 17 bilhões obtidos no mesmo período de 2008. O Real é, hoje, uma das moedas mais apreciadas pelos investidores, com um índice de valorização de 34%, superando o dólar australiano (30%) e o neozelandês (29%). A previsão de crescimento do PIB, por sua vez, é de 3,8% em 2010, de acordo com a The Economist. "Enganaram-se os analistas que previam uma queda de até 4,5% do PIB brasileiro em 2009, que deve se encerrar mesmo com o indicador estagnado, conforme nossas projeções em 0,2%", afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, ao destacar que o Brasil teve um desempenho acima da média, considerando que a redução mundial do PIB será de 1,1% em 2009.
Após estimar uma expansão de 2,3% da economia nacional, em relação ao segundo trimestre, Vale calcula um aumento de 3,6% para o último trimestre. "A diminuição da taxa básica de juros Selic de 13,75% para 8,75% e as medidas do Banco Central (BC), para ampliar a liquidez do sistema financeiro, foram essenciais ao desenvolvimento econômico", observa. Aloísio Campelo Júnior, superintendente adjunto de ciclos econômicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acrescenta a esse conjunto de fatores a inflação sob controle, a política fiscal e os fundamentos macroeconômicos equilibrados, as reservas internacionais e a geração de superávit primário. "Os programas sociais, o aumento do salário mínimo e a redução da alíquota de impostos sobre produtos industrializados (IPI) para bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, impulsionaram o consumo doméstico", diz Campelo.
Rede de sustentação - Vale, da MB Associados, acredita que, apesar da decisão acertada do governo, os estímulos tributários deveriam ter contemplado outros segmentos. "A equação de gastos correntes elevados e investimentos público e privado baixos precisa ser modificada", pondera, ao considerar a previsão de queda de 18,7% em investimentos no quarto trimestre, em comparação ao mesmo período de 2008. De modo geral, os efeitos da crise econômica mundial no Brasil concentraram-se na indústria, provocados pela redução das exportações. "O nível de medição da capacidade produtiva industrial, que era de 86% em setembro, caiu para 77% em dezembro de 2008", afirma o superintendente da FGV.
Por outro lado, uma projeção divulgada recentemente pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) indica um crescimento de 13% nas atividades do setor em 2010, em relação a 2009. "Cerca de 9,3% deste aumento será o carregamento das quedas de 2009. Estamos em um excelente ritmo de recuperação, mas que poderá ser desacelerado adiante. Esse movimento vai se atenuar", explica Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas da FIESP. Os segmentos da indústria que atualmente mais crescem, na opinião do economista da MB Associados, são os que tiveram queda acentuada durante a turbulência, principalmente os relacionados a bens intermediários e de capital. Para Campelo, um fato interessante registrado nesse período foi a diversificação nas exportações, os quais motivaram o Brasil a ampliar suas parcerias comerciais e a incluir em seu portfólio, além da Europa, países da Ásia e da América Latina. "Os mercados emergentes criaram uma importante rede de sustentação de importação e exportação", cita o executivo.
Futuras aquisições - Apostando no potencial econômico do país, empresas francesas reforçarão suas estratégias de investimentos em 2010. Depois de registrar um crescimento de 30% anual, entre 2005 e 2007, e de se reestruturar em 2008, a Bull do Brasil - que atua em soluções de Tecnologia da Informação (TI) e serviços integrados - pretende encerrar 2009 em expansão de, no mínimo, 25% e superar as expectativas de crescimento de 10%, projetadas para o mercado de TI e informática. "Se, por um lado, nossa atuação junto aos clientes foi reduzida, em consequência da desaceleração econômica, por outro tivemos um aumento de recursos do setor público, realizado por empresas de segurança, seguro social, energia, entre outras", conta Alberto Araújo, presidente da Bull para a América Latina, ao mencionar os contratos assinados com a Petrobras, Infraero, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. "Em novembro vencemos o último edital da Petrobras para o fornecimento do supercomputador Bullx da linha Extreme Computing, com potência superior a 250 teraflops", justifica.
O equipamento permitirá que o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da estatal faça simulações geofísicas que auxiliarão a exploração e produção de petróleo. "Pretendemos fechar 2009 com uma receita de US$ 80 milhões, ante os US$ 60 milhões obtidos no ano anterior", diz o executivo. Um resultado positivo, se comparado ao desempenho da companhia na Europa, que deverá registrar queda de 7% no faturamento. "O Brasil é estratégico para a Bull. Planejamos investir nos próximos anos, pensando até em futuras aquisições", destaca Araujo.
Considerando o crescimento de 15% a 20% ao ano do mercado de lentes antirreflexo, desde 2003, a Essilor Brasil aposta na continuidade da formação de joint ventures com laboratórios ópticos. O Technopark, em São Paulo, é um dos resultados da parceria com dois dos principais laboratórios paulistas: o Campilentes e o Surfnew. De acordo com Thomas Bayer, presidente da Essilor no Brasil e na América Latina, a empresa é sócia majoritária com 51% das ações. "O empreendimento não somente beneficiará a produção, que terá o custo consideravelmente reduzido por se concentrar em um único local, como também aumentará nossa participação no setor", afirma Bayer, avaliando que o índice de inserção das lentes anti-reflexo no Brasil é da ordem de 18%, ao passo que na Alemanha corresponde a 80% e no Japão a 98%. Diante das oportunidades, a Essilor Brasil pretende manter em 2010 a estratégia de fomentar a tecnologia antirreflexo, importando equipamentos de última geração, e de formar novas alianças.
"Queremos reforçar a divulgação sobre os cuidados com a visão e sua efetiva correção, assim como o conforto proporcionado pelas lentes multifocais Varilux, as fotossensíveis Essilor Transitions e a tecnologia antirreflexo Crizal", destaca o executivo. A companhia que já produz, na fábrica Essilor da Amazônia, 80% dos produtos que comercializa no país, busca aumentar essa proporção para mais de 90%, além de ampliar suas exportações a partir do Brasil, abrangendo a América Latina e os Estados Unidos.
Somado às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o anúncio da realização da Copa de 2014 em diversos estados e das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, movimentou o setor hoteleiro em 2009. Mesmo atenta às mudanças no cenário internacional - que provocaram uma redução nos investimentos em reformas e novas contratações - a Accor Hospitality não alterou suas metas para a América Latina. "No primeiro semestre, registramos recorde de novos negócios em toda a região, com dez contratos fechados", adianta Roland de Bonadona, CEO da empresa na América Latina, ao citar as parcerias com a CMNet para o fornecimento de soluções de software para os hotéis da rede e com a Localiza, oferecendo descontos aos hóspedes no aluguel de carros.
No Brasil, um dos destaques foi a aliança da rede Formule 1 com a operadora de telefonia móvel Oi, possibilitando o pagamento das diárias pelo celular. "Registramos no país um crescimento de 2% na ocupação dos quartos, no segmento midscale, e de 5% no econômico, em outubro, o que gerou um acréscimo de 12% no faturamento, em relação ao mesmo mês de 2008", acrescenta o CEO. Em 2010, o plano é expandir a atuação da empresa dando ênfase às marcas do segmento econômico, principalmente por meio de franquias. "Estamos em negociação com diversos parceiros, com o intuito de ampliar nossa presença nas cidades-sede da Copa. Também queremos aumentar a participação em canais de distribuição na internet", completa.
Desenvolver ações para reestruturar a área comercial foi uma das estratégias adotadas pela rede de resorts Club Med. "Inauguramos o Maison Club Med em São Paulo, onde agentes de viagens, clientes e colaboradores têm acesso a todos os conceitos da companhia", explica Janyck Daudet, CEO do Club Med para a América Latina. Assim como a Accor, a parceria foi uma das alternativas utilizadas pela empresa para diversificar a oferta de produtos e serviços aos clientes. "Nos unimos com a marca de cosméticos Biotherm para a criação do SPA Biotherm by Club Med, no Village Trancoso, na Bahia, que oferece mais de 30 opções de serviços, entre terapias e tratamentos estéticos", revela o executivo.
O lançamento nas unidades de Rio das Pedras (RJ) e de Trancoso do Petit Club - espaço para crianças de 2 e 3 anos, com o acompanhamento de monitores especializados - foi outra ação do Club Med. "Além disso, investimos em promoções, em épocas específicas e nos pacotes do Club Med Business, que geraram um crescimento de 9% em relação a 2008", afirma. No próximo ano, recursos serão destinados à reforma dos quartos do Village Rio das Pedras. "Essa ação está alinhada à estratégia global da empresa, buscando proporcionar mais sofisticação aos ambientes. A expectativa é de obter um crescimento de 7% em 2010".
Enfrentar a crise com a oferta de novidades para o segmento eletroeletrônico foi a estratégia da Schneider Electric para 2009. "Investimentos no potencial de consumo das classes C e D, com o lançamento do VivaWatt, um sistema integrado de proteção contra choques elétricos e curto-circuito para residências", exemplifica Tânia Cosentino, presidente da Schneider Electric no Brasil, ao reforçar as oportunidades proporcionadas pelo PAC e pelo programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que construirá um milhão de casas. Se, nos primeiros meses do ano, os negócios da companhia francesa foram afetados pela redução de investimentos dos exportadores e pelo desaquecimento do mercado interno, a retomada foi observada no final do terceiro trimestre. "A crise econômica fez com que muitos empresários redirecionassem suas verbas à melhora da produtividade e à diminuição dos custos operacionais. Por isso, decidimos investir em soluções de automação e de gerenciamento de energia".
A conclusão do processo de aquisição da Microsol - localizada na região Nordeste, considerada uma das três maiores do país no segmento de condicionadores de energia -, contribuirá para o crescimento da Schneider em 2010, na opinião de Tânia. "O setor de energia, certamente, será impulsionado no próximo ano, principalmente após a divulgação dos resultados do leilão de energia eólica", acrescenta a executiva, ao citar a construção civil como outra área oportuna para os negócios da empresa.
Construção sustentável - A redução do IPI nos matérias de construção - dentre eles o cimento, vergalhões, argamassa, tinta e revestimentos - foi uma das ações do governo que refletiu positivamente em todas as áreas e empresas relacionadas ao setor, entre elas a Leroy Merlin, que manteve seus planos de investimentos no Brasil, mesmo com o período de turbulência econômica. "Decidimos reduzir a ruptura de estoques, melhorar o processo de compras, motivar e desenvolver as equipes, renovar o mix de produtos, reformar lojas antigas e expandir a rede", conta Alain Ryckeboer, presidente da Leroy Merlin no Brasil, ao destacar a inauguração das lojas em Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), e Niterói (RJ).
"A unidade de Niterói, aliás, é a primeira loja do varejo no país a conquistar a certificação de Alta Qualidade Ambiental (AQUA) de construção sustentável, equivalente no Brasil ao Démarche HQE da França", destaca o executivo. Essas iniciativas - somadas aos quase R$ 130 milhões destinados ao país - garantiram um aumento de aproximadamente 25% no faturamento, em comparação a 2008, ano em que a empresa já havia registrado uma expansão de 23%. "Esse índice mostra que estivemos na contramão do setor que, segundo dados do IBGE, apresentou queda de 9,5% nos negócios este ano, mesmo com o pacote de incentivo do governo".
Renovar e abrir novas lojas são algumas das propostas da Leroy Merlin para o próximo ano, no qual prevê um total de investimentos de R$ 150 milhões. "Pretendemos obter um crescimento de 20%, índice bem acima dos 5% e ou 6% previsto pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) para o mercado de varejo de materiais de construção por completo", explica o executivo, ao reforçar as oportunidades do programa Minha Casa, Minha Vida e das obras de infraestrutura no país, também citadas por Rogério Silva, diretor comercial de marketing e logística da Lafarge Brasil, como um dos desafios para os próximos anos.
"Atualmente, o mercado de cimento se mantem estável, mas seu futuro é promissor e precisamos estar totalmente preparados para atender ao mercado", explica. Com esse objetivo, a empresa hoje investe na modernização de seu parque industrial e em inovação tecnológica, depois de formar uma parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na área de engenharia de materiais de construção. "Criamos um portal que oferecerá, a partir de 2010, uma série de serviços on-line e informações mais detalhadas sobre nossos produtos", adianta o executivo. Ele considera que a estabilização no consumo de cimento no Brasil, durante o ano, contribuiu para o equilíbrio da demanda, aquecida em 2008. "Diferentemente de outros países, o impacto da crise na construção civil brasileira não foi intenso, minimizado pelos planos habitacionais, redução do IPI e a retomada ao crédito", avalia. Com isso, a Lafarge espera, em 2010, um aumento de 8% em vendas. O executivo cita as obras para a Copa de 2014 como outro fato oportuno à obtenção deste resultado. "A construção e reforma de estádios, hotéis, entre outros, serão muito positivas para nossa área", ressalta.
"As iniciativa do governo federal certamente beneficiarão a produção industrial e a geração de empregos em 2010 e nos anos seguintes", considera Jean-Claude Breffort, vice-presidente sênior e delegado geral da Saint-Gobain no Brasil, Argentina e Chile. Atuando tanto no setor industrial como no de construção, a companhia resolveu enfrentar a crise econômica adaptando sua estrutura, capacidade de produção e os custos. E para preservar a liquidez, optou por suspender o processo de aquisições. "Mas realizamos os investimentos previstos, como a reconstrução e ampliação de uma linha de vidros float em Jacareí (SP), transformando a fábrica na maior do gênero nas Américas", diz ao explicar que essas ações resultaram em mais de R$ 6 bilhões em vendas em 2009.
Um número bem próximo ao alcançado em 2008, quando a Saint-Gobain atingiu um desempenho recorde no país. "O PAC também refletiu positivamente em nossa atividade no segmento de canalização, que fornece tubos de ferro fundido para redes de abastecimento de água e de saneamento nos municípios", justifica Breffort. O primeiro semestre de 2010, segundo o executivo, será voltado à consolidação e à retomada de negócios. "O distanciamento cada vez maior das decisões econômicas em relação ao campo político, devido à consolidação das instituições democráticas, e às perspectivas relacionadas às próximas eleições, à Copa de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016, nos deixam muito otimistas quanto ao desenvolvimento do país", afirma. "Não podemos esquecer, porém, que vivemos em uma economia globalizada, o que nos torna dependentes, pelo menos parcialmente, da retomada da economia também no exterior", cita o executivo.
Depois de sofrer os efeitos da crise no primeiro trimestre de 2009, a indústria automobilística foi reaquecida ao longo do ano, principalmente com a redução do IPI. A medida fez com que as montadoras, a exemplo da Renault do Brasil, voltassem a contabilizar números positivos a partir de abril. Em outubro, a empresa registrou recorde de vendas de 12,8 mil veículos, ultrapassando a marca anterior de 12,5 unidades comercializadas em setembro de 2008. O resultado, atribuído ao desempenho dos modelos Sandero, Logan, Clio Campus, Sandero Stepway e Symbol, representou ainda um crescimento de 38% no volume de vendas, em relação ao de outubro do ano passado (9,3 mil veículos).
"Devemos encerrar 2009 com algo em torno de 115 mil a 120 mil emplacamentos, volume superior ao de 2008", avalia Alain Tissier, vice-presidente da montadora, ao citar os benefícios gerados pela diminuição da taxa de juros Selic, pelo incentivo ao crédito e pela redução do IPI para o setor. "Com a alíquota do IPI voltando ao nível anterior será o momento de avaliar a recuperação da confiança do consumidor na economia do país e as possíveis consequências". Para 2010, quando o mercado brasileiro deve absorver cerca de 3 milhões de veículos, a expectativa da Renault, de acordo com Tissier, é a de vender entre 140 mil e 150 mil unidades, alcançando 5% de market share.
A expectativa dos especialistas para 2010 é de um aumento do PIB brasileiro da ordem de 4% a 5%. "O índice será determinado pela combinação entre retomada da confiança dos empresários e dos consumidores e a dinâmica do mercado externo", considera Campelo, da FGV. Para Vale, da MB Associados, a tendência é de recuperação principalmente para o setor da construção civil, enquanto os produtores poderão voltar a pensar em exportar, com o câmbio iniciando um processo de depreciação. "Não podemos nos esquecer que outro segmento no Brasil com grande potencial de expansão para os próximos anos é o de petróleo", conclui. n | |
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